ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 10/03/2024
O sociólogo francês Pierre Bourdieu descreveu a “Violência Simbólica”, como uma agressão não física que se manifesta na diferença de poder entre os grupos sociais, na qual, os que possuem mais poder e influência atuam como opressores. Em vista disso, é notória a ideia de que a população sequer imagina que sofre uma violência silenciosa, na qual é imposto um padrão de beleza disfarçado nas propagandas, filmes ou novelas, afetando diretamente a autoestima e saúde mental das pessoas. Na sequência, é necessário discutir acerca da participação da mídia como veículo de imposição, e a omissão do Governo Federal, por não oferecer apoio psicológico aos principais prejudicados pelo padrão de beleza midiático, por exemplo, jovens e mulheres.
Em primeiro plano, a busca por padrões de beleza idealizados tem terra fértil no individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, a mídia, ao selecionar modelos com grandes alterações cirúrgicas no rosto e no corpo para ser a representação de algo bonito, acaba passando a imagem de que tal perfeição é o ideal, porém essa ideia acaba atingindo pessoas que não possuem condições de atingir tal padrão, uma vez que os maiores consumidores de filmes e propagandas são de classe mais baixa.
Em segundo plano, devido ao exagero de exigências de perfeição, a maioria da população de jovens e mulheres acabam tentando seguir tal padrão inatingível e ao se frustrarem, acabam recorrendo a métodos extremos e perigosos, como dietas muito restritivas, chegando a morrer de fome. Diante disso, é notável que a sociedade brasileira sofre de uma omissão do Governo Federal, pois não há atendimentos fáceis a psicólogos no SUS, pois muitos passam anos na fila de espera por apenas uma consulta, demonstrando que o governo ignora o problema.
Portanto, é necessário intervir sobre o problema. Para isso, as escolas — principais redes de formação de senso crítico — devem ensinar os jovens a entender que a perfeição midiática não é possível naturalmente. Por meio de parcerias com psicólogos, para mostrarem o problema causado pela mídia e reduzam o dano, a fim de formar adultos mais conscientes e seguros de si.