ENEM PPL 2017 - Consequências da busca por padrões de beleza idealizados
Enviada em 30/06/2024
Segundo Hanna Arendt, filósofa alemã, toda publicidade tem um elemento de coerção. Nesse sentido, nota-se uma intensificação no poder das propagandas na conjuntura contemporânea, sobretudo no que diz respeito ao padrão de beleza. Essa manipulação é fruto da alienação social e de um sistema econômico coercitivo, e afeta na qualidade de vida do cidadão. Dessa forma, torna-se essencial que a mídia atue na ruptura de um padrão de beleza.
Sob esse viés, é fundamental enfatizar uma relação entre os padrões de beleza e a exclusão social. Essa associação pode ser entendida pelo conceito de “normalização” proposto pelo filósofo Foucault, no qual instituições – neste caso a mídia – tem o poder de definir padrões, e os desviantes recebem uma valoração negativa. Nesse cenário, as pessoas são alienadas em busca de aceitação pessoal e social, e desenvolvem hábitos prejudiciais, como dietas intensas, remédios para emagrecer e cirurgias plásticas.
Ademais, existem motivações econômicas que intensificam a publicidade de um padrão estético. O sociólogo Max Weber entendia que o capitalismo moderno é excessivamente burocratizado, o que incentiva a prática de uma razão fria, mediante a qual leva a perda de valores éticos. Desse modo, a indústria investe intensamente em produtos e serviços estéticos lucrativos, por exemplo, mesmo que estes causem riscos à saúde.
Depreende-se, portanto, que estratégias de mitigação são cruciais para reduzir os efeitos nocivos dos padrões de beleza disseminados. Assim, uma estratégia promissora consiste em influenciadores digitais – pois atingem um grande público do meio estético– incentivar uma campanha contra padrões de beleza, por meio de uma “hashtag” em plataformas como o Tiktok e o Instagram, a fim de alertar para os riscos associados. Tais alertas devem ainda conter casos reais de doenças associadas, como bulimia e complicações cirúrgicas. Em paralelo, o governo deve fiscalizar propagandas potencialmente perigosas. Dessa maneira, traçam-se caminhos para redução dos impactos dessa “normalização” da beleza.