ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Em um episódio do seriado “Chaves”, os personagens Kiko, Chaves e Chiquinha se reúnem a fim de fazer um piquenique. Com poucos recursos, eles decidem que cada um trará um item de sua casa para compor a refeição. Desse modo, todos puderam comer de tudo. As crianças, então, se organizaram para superar seus obstáculos financeiros, e as pequenas ofertas individuais se tornaram um grande banquete para que todo o grupo fosse beneficiado. Além da ficção, alguns grupos sociais vivem essa realidade, e precisam dessa organização estrutural o tempo inteiro, com intuito de não faltar alimento. Nessa lógica, pode-se dizer que o cenário de crise, intensificado pela corrupção, faz com que as pessoas de classes sociais limitadas tenham de resolver seus problemas financeiros por si próprias, sem a ajuda do país.

A crise econômica assombra o Brasil há mais de quatro anos, e as consequências não poderiam ser outras: Desemprego em massa, hiperinflação, desvalorização da moeda. Obviamente, os brasileiros que enfrentam a extrema pobreza são os mais afetados. São 13,7 milhões, segundo o IBGE, afetados por essa condição. Para superar os empecilhos, muitos trabalham exaustivamente por horas dentro dos ônibus vendendo mercadorias. Outros, que não consegue mercado para venda, apelam para a arte. Em um ambiente tão devastado pela crise, não é incomum encontrar músicos, palhaços ou malabaristas numa avenida quando o sinal fecha, na oferta de oferecer o seu talento em troca de alguns trocados.

No conto “João e o Pé de Feijão”, João leva a sua vaca para vender no mercado, e no fim, leva alguns feijões dito como “mágicos” em troca dela. No mundo real, todavia, pequenos agricultores também precisam executar uma “mágica” com seus “feijões”. Algumas estratégias para tornar o solo mais produtivo, como técnicas de irrigação, por exemplo, têm sido bem promissora. Existe também a agricultura de subsistência, a qual integra 76,8% dos estabelecimentos rurais brasileiros de acordo com o IBGE. Apesar de desvalorizada, a agricultura familiar, no mesmo estudo, gera 23% da receita de produção total. Certamente, tais benefícios se multiplicariam com apoio governamental.

Portanto, é preciso reduzir a busca por “feijões mágicos”, oferecendo recursos a esses grupos. Para isso, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) deve investir mais nesses trabalhadores, visando um mercado mais amplo e abrangente. Programas de incentivo financeiro podem ser criados, de modo que o investimento seja feito pelo Governo Federal e direcionado, através do MAPA, para cada município brasileiro. Assim, a verba já existente para a agricultura se destinaria também aos pequenos produtores para melhor incluí-los e estimulá-los. Por fim, esse grupo jamais precisaria mais trocar suas “vacas” por “feijões mágicos”, pois teriam mais valor e dignidade.