ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil
Enviada em 03/01/2021
De acordo com a filosofia contratualista de John Locke, os conceitos de liberdade, vida e propriedade são direitos naturais do homem. Contudo, o atual cenário brasileiro se opõe a tal realidade, e aproxima-se da teoria exposta na obra “A Riqueza de poucos Beneficia a Todos Nós?”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que infere a intensificação das desigualdades socioeconômicas no mundo globalizado. Logo, frente ao crescimento exponencial dos índices de marginalização social, fome e miséria no Brasil, a identificação de tais problemáticas, assim como dos fatores que a originaram tornam-se imprescindíveis para a garantia do bem-estar comum.
Em primeiro lugar, é importante destacar que os crimes de ódio, motivados por intolerância religiosa, étnica ou misógina, cresceram 200% nos últimos 5 anos, de acordo com o Mapa da Violência do país, o que comprova a estagnação do processo de inclusão social das minorias. Além disso, o desemprego e o trabalho informal perpetuam-se como realidade brasileira há décadas, como consequências das diversas lacunas na educação pública nacional, evidenciadas pelo fato de que aproximadamente 1/3 da população constituem analfabetos funcionais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessarte, tal cenário é oriundo do modelo de formação do Brasil, que permaneceu caracterizado como agrário, patriarcal, escravocrata e aristocrático até meados do século XXI, e sintetizou heranças culturais presentes na contemporaneidade. Outrossim, em sintonia com as obras do geógrafo Milton Santos, é evidente que a globalização intensificou as disparidades socioeconômicas, em destaque nos países pobres, pois essa concentrou as riquezas naturais e materiais a poderio de poucos, assim como aludido na referida obra de Bauman. Dessa maneira, urge que o Estado delineie ações para o combate dos males do século XXI, originados nos primórdios da nação, com o intuito de promover a igualdade e liberdade social, cultural e econômica no país.
De acordo com o supracitado, cabe ao governo, em parceria com a Secretaria de Alfabetização, garantir o acesso à educação pública de qualidade para a totalidade da população, por meio de investimentos anuais na melhoria da infraestrutura das instituições de ensino, assim como promover a valorização salarial dos professores. Ademais, é de suma importância que as questões socioculturais abordadas sejam debatidas em ambiente escolar, afim de erradicar o avanço do preconceito no país, pois “ aquele que não é capaz de lembrar o passado está fadado a repeti-lo”, segundo Confúcio. Somente a partir dessas ações tornar-se-ia possível a construção de um Brasil que se orgulha de sua multiplicidade e garante a igualdade a todos os cidadãos.