ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil

Enviada em 04/10/2021

Hodiernamente, o Brasil figura a nona posição dos países mais desiguais do mundo e, por conseguinte, possui a concentração de renda absurdamente elevada. Dessa forma, mesmo durante períodos sem crises econômicas, grande parte da população passa por dificuldades, que se agravam em períodos instáveis e turbulentos economicamente. Sob esse enfoque, é urgente a reorganização da sociedade para superar tais entraves, como a garantia da educação financeira para todos e o avanço de reformas estruturais, como a agrária e a redistribuição de renda.

Primordialmente, a importância do investimento em educação financeira no cenário nacional é evidente. Além do alto índice de brasileiros endividados, em torno de 61 milhões, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito, há, ainda, a comparação em relação ao panorama internacional, que revela o Brasil entre os piores índices de pensamento a longo prazo, segundo o Banco Mundial. Diante do exposto, nota-se a falta de orientação dos cidadãos com assuntos econômicos básicos, como organização e gestão para evitar dívidas, autocontrole emocional e o consumismo desenfreado que pode comprometer a renda familiar. Sendo assim, essas pautas devem fazer parte do cotidiano das crianças, adolescentes e adultos, de maneira didática, para que se possa melhorar a capacidade dos civis em terem responsabilidade com suas finanças.

Outrossim, a reforma agrária estrutural e a redistribuição de renda são necessidades pendentes na agenda política. Com o sistema de capitanias hereditárias na colonização e, posteriormente, a aplicação da Lei de Terras em 1850, atrelou-se o acesso às terras ao poder de compra e, por consequência, a estrutura fundiária tornou-se extremamente concentrada. Tal realidade, impõe uma condição miserável para a grande parte da população do país, que além de deter pouquíssima renda per capita, ainda é afetada, em tempos de crise, pela insegurança alimentar e o aumento do preço dos alimentos, por exemplo. É dado que 70% da produção alimentícia para o mercado interno provém dos pequenos produtores e não dos latifúndios que são focados na exportação, e esses agricultores não recebem impulsos suficientes do Governo para manterem suas produções, enfrentando diversas decadências.

Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação garanta que a orientação financeira seja cumprida na nova Grade Curricular, além de engajar os pais dos alunos nesse tema, por meio de palestras nas escolas para o grande público. Ademais, o Governo Federal deve acatar o artigo 184 da Constituição no que tange ao acesso à terra e a função social da mesma, mediante desapropriação dos latifúndios improdutivos e auxiliando os produtores ao expandir o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Dessa maneira, a sociedade poderá resistir aos momentos de adversidade.