ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil
Enviada em 30/06/2021
A obra “O Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, avalia que os direitos dos brasileiros restringem-se à forma da lei. Nesse sentido, ainda que a igualdade seja um pilar constitucional, as formas de organização da sociedade para enfrentar impasses econômicos no Brasil denotam um problema - fruto de um Estado inerte e de uma sociedade alienada - que evidencia a crítica feita por Dimensteim, devendo, portanto, ser solucionado.
Sob esse viés, é importanto destacar a ineficácia estatal como fonte de desemprego, o que, por sua vez, leva os indivíduos a desenvolverem mecanismos adversos ao sistema tradicional monetário. Como analogia, o filósofo Émile Durkheim compara a sociedade a um corpo biológico, pois, assim como este, é composta por partes interdependentes. Com tal perspectiva, presumindo-se a centralidade do governo nessa estrutura, observa-se sua total inoperância diante de aproximadamente 20% de brasileiros desempregados e/ou em situação de informalidade em 2017 (fonte: IBGE) que, para sobreviverem, devem recorrer ao escambo (troca de serviços e mercadorias), às economias solidárias (cooperativas) ou até ao endividamento. Diante disso, é o órgão vital o que impossibilita o coeso e equânime funcionamento do corpo social.
Ademais, a apatia de um grupo também fortalece o problema em questão. Tal premissa pode ser analizada partir do conceito da “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, em que a acriticidade e o distanciamento internalizados por uma parcela produzem uma sensação de normalidade geral, mesmo diante de uma notória exclusão social. Sob esse aspecto, ao recorrerem a métodos não convencionais de subsistência e conseguirem algum êxito com eles, o prejudicado os aceita passificamente e o malfeitor os institucionalizam. Desse modo, observa-se que a alienação dos que usufruem direitos promove as vicissitudes dos “cidadãos de papel” tanto quanto um desgoverno.
Portanto, como forma de combater a tese de Hannah que origina e corrobora a inação estatal diante desse desfuncional cenário econômico no Brasil, é necessário agir, assim como pontuol Dimenstein, na base para uma sociedade coesa: a educação. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de um projeto educacional nacional, feito em parceria com a Família e com os professores, deve incrementar a grade curricular do ensino fundamental – com disciplinas voltadas a discussões e a intervenções nos problemas que podem afetar a comunidade escolar-, com a finalidade de desenvolver nas crianças um senso de pertencimento a um corpo social e que podem e devem constantemente melhorá-lo. Assim, espera-se que uma nova geração cresça mais crítica e integrada, construa um Estado mais atuante nos problemas da economia e, com isso, diminua as cidadanias fictícias.