ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil
Enviada em 25/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a necessidade da sociedade buscar formas de organização alternativas para enfrentar problemas econômicos no Brasil representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da postura estatal ineficiente e do capitalismo selvagem.
Convém ressaltar, a princípio, a negligência do Poder Estatal. A exemplo disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), o número de desocupados no país aumentou de 5 milhões em 2014 para 12,3 milhões em 2017. Dessa forma, o bem-estar da coletividade torna-se reprimido, uma vez que as pessoas, ao não terem o amparo do Estado frente aos percalços econômicos e sociais - como a desvalorização e a inacessibilidade do Real e o desemprego -, buscam formas alternativas de driblar esses problemas como, por exemplo, por meio da criação de moedas sociais, isto é, ligadas a bancos comunitários. Essa conjuntura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, uma vez que a precária atuação do Estado frente a essa questão impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade, intensificando a pobreza, o que, infelizmnete, é notório no país.
Ademais, é pertinente apontar que o capitalismo selvagem impulsiona a problemática abordada. Nesse viés, o sociólogo alemão Karl Marx afirma: “Privilegiar o bem pessoal em detrimento do coletivo acarreta inúmeros malefícios à sociedade.” À luz desse pensamento, os grandes bancos, ao concentrarem suas atuações em regiões onde há maior desenvolvimento econômico - como nos grandes centros urbanos -, contribuem para a manutenção desse empecilho nas periferias, uma vez priorizam espaços que se consolidam como altamente lucrativos e engajados no mercado global. Logo, é inadmissível que essa realidade deletéria continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater as adversidades elencadas. Para isso, o Executivo, por meio de parcerias público-privadas, deve incentivar a expansão dos bancos tradicionais para as comunidades periféricas, a fim de possibilitar a circulação do Real nesses espaços. Isso deve permitir, a longo prazo, a participação íntegra da população na economia, o que deve reduzir desigualdades sociais e frear o aumento no índice de desocupados citado, segundo o IBGE.