ENEM PPL 2018 - Formas de organização da sociedade para o enfrentamento de problemas econômicos no Brasil
Enviada em 27/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a necessidade da sociedade buscar formas de organização alternativas para enfrentar problemas econômicos no Brasil representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da postura estatal ineficiente e do capitalismo selvagem.
A princípio, convém ressaltar a negligência do Poder Estatal. A exemplo disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de desocupados no país aumentou de 5 milhões em 2014 para 12,3 milhões em 2017. Dessa forma, o bem-estar da coletividade torna-se reprimido, uma vez que as pessoas, ao não terem o amparo do Estado frente aos problemas econômicos e sociais – como a desvalorização e a inacessibilidade do Real e o desemprego -, buscam formas alternativas de driblar esses problemas. A partir disso, muitas comunidades recorrem à criação de moedas sociais, isto é, ligadas a bancos comunitários e não aos tradicionais. Essa conjuntura, segundo o sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, pois a precária atuação do Estado frente a questão abordada impacta, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento da sociedade, intensificando problemas como a desigualdade social, o que, infelizmente, é notório no país.
Ademais, é pertinente ressaltar o capitalismo selvagem como impulsionador da problemática abordada. Nesse viés, o sociólogo alemão Karl Marx afirma: “Privilegiar o bem pessoal em detrimento do coletivo acarreta inúmeros malefícios à sociedade.” À luz desse pensamento, os grandes bancos, ao concentrarem suas agências onde há maior desenvolvimento econômico e concentração de riquezas – como nos grandes centros urbanos -, contribuem para a manutenção desse empecilho nas periferias, uma vez que, lamentavelmente, priorizam o lucro em espaços já consolidados e que estão engajados no comércio global. Logo, é inadmissível que essa realidade deletéria continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater as adversidades elencadas. Para isso, o Executivo, por meio de parcerias público-privadas, deve incentivar a expansão dos bancos tradicionais para as regiões periféricas, a fim de possibilitar a circulação do Real nesses espaços. Isso deve efetivar, a longo prazo, o engajamento íntegro da população na economia nacional, o que deve reduzir a desigualdade social e frear o aumento no índice de desocupados citado, segundo o IBGE.