ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 09/11/2021

De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o chamado “encolhimento do mundo”, isso é, o aumento das relações de convívio a distância devido às ferramentas da modernidade. Entretanto, com novas tecnologias, surgem também incipientes impasses, sobretudo relacionado ao uso insalubre de aparelhos eletrônicos na infância — um problema que pode gerar consequências nocivas. Assim, é possível afirmar que não só a falta de exemplo familiar, mas também a escassez de senso crítico na fase infantil fomentam os possíveis perigos evidentes do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que, para ensinar, é necessário dar bons exemplos para as crianças, as quais conseguem perceber incoerências de instrução. Por exemplo, conforme a empresa britânica GlobalWebIndex, o Brasil é o segundo país que mais passa tempo conectado nas redes sociais, o que torna uma prática comum ao cotidiano infantil a observação desse uso imoderado como algo normal.  A priori, é muito fácil impor comportamentos aos filhos sem também mudar — afinal, o aprendizado se dá por meior não apenas do entendimento das palavras, mas principalmente da observação comportamental.

Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão da ingenuidade infantil, a qual é mantida por uma experiência limitada de mundo e, portanto, carrega um risco de crença no irreal universo das redes sociais. Segundo a World Health Organization, o Brasil é país mais ansioso e o quinto mais depressivo do mundo, o que, hipoteticamente, pode estar atrelado ao mundo virtual com sua propagação de padrões de beleza. A partir desse ponto de vista, se a população adulta consegue ser atingida perniciosamente com o uso das redes sociais, é difícil imaginar que as crianças, com tal falta de questionamento crítico, não sejam encaminhadas para o mesmo caminho.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e camapanhas publicitárias que discorram acerca não somente da imprescindível educação tecnológica às crianças, mas tambéma da importância da coerência do ensinamento, com exemplos de comportamentos didáticos aos pais. Espera-se, com tudo isso, uma atenuação do uso excessivo da tecnologias pelos jovens e responsáveis.