ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 14/02/2020

O estatuto da criança e do adolescente foi criado com o objetivo de proteger os interesses dos -assim denominados - menores de idade. No entanto, ao observar a atual conjuntura do país, no que concerne ao uso indiscriminado de tecnologias digitais de informação por esta parcela da sociedade, verifica-se que referido dispositivo de Lei não tem alcançado seu objetivo. Afirma-se isto, pois, o atual estilo de vida desses pequenos os têm tornado, cada vez mais, presas frágeis para o isolamento social e alvos fáceis para a publicidade infantil. Desse modo, cabe ao governo articular medidas para combater esse quadro.

Inicialmente, cumpre destacar que atualmente as crianças passam mais tempo interagindo com tablet’s e celulares do que com a família e amigos. Como consequência disso, elas estão cada vez mais sedentárias, antissociais, e, consequentemente, depressivas. Esse quadro clínico, segundo o filosofo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “modernidade líquida”, é resultado da substituição do ideal de coletividade pelo individualismo e pela transformação do cidadão em mero consumidor, tudo isso impulsionado pelo fenômeno da internet. Sem dúvida, o homem não foi feito para viver isolado e os resultados dessa segregação em tão tenra idade começam a surgir e abalar toda a sociedade.

Em uma segunda análise, verifica-se que a publicidade infantil no Brasil é explorada sem regulamentação específica. Consigne ainda que a criança é um ser em formação e, portanto, mais vulnerável, dado a sua condição de hipossuficiência. Nesse ambiente, elas são um “prato cheio” para os apelos publicitários, que utilizam de inúmeros artifícios para seduzi-las. Nesse sentido, o renomado Psicólogo Daniel Goleman, afirma que uma criança, ao assistir uma propaganda oferecendo uma fantasia de homem-aranha, acredita que poderá tornar-se de fato o super-herói se adquirir aquele produto. Em função disso, o marketing infantil abusivo, atua na mente das crianças e as transformam em consumidores compulsivos de seus produtos.

Face ao acima exposto, medidas devem ser orquestradas para conter o avanço desse cenário. Por essa razão, o governo federal, via de sua agência de publicidade, deve promover campanhas publicitárias nos meios de comunicação, para alertar pais e filhos acerca dos prejuízos advindos da superexposição à tecnologias, a fim de impedir que as crianças se isolem e adoeçam psicologicamente. Por sua vez, o poder legislativo deve, em caráter de urgência, elaborar lei que regulamente a exploração da publicidade infantil, com o objetivo de impedir que a mesma atue de forma abusiva, para que as crianças não sejam recrutadas para servir aos interesses de grandes corporações. Essas medidas contribuirão para que as crianças possam de fato ser o futuro dessa nação.