ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 20/02/2020
A meninada, a tecnologia e o celular
Desde a primeira Revolução Industrial, produto maior do iluminado século das luzes, a ciência em definitivo penetrou na vida cotidiana da sociedade. Hoje, não há que falar em vida social longe das redes sociais; este é o resultado de séculos de intensificação de processos científicos e industriais. A presença da tecnologia atualmente é tamanha que as crianças, poucos meses depois de nascer, já têm entre os dedos uma tela azul e resplandecente cheia de joguinhos e músicas. O que é, claro, um potencial perigo e também um problema de saúde pública.
Esse perigo surge por causa das consequências fisiológicas do contato precoce e excessivo de uma criança pequena com esses aparelhos. Pois, estes foram e são projetados para um público adulto que possui um corpo, evidentemente, diferente do das crianças. Isto é, por estarem em fase de crescimento, elas apresentam tecidos mais delicados, mais sensíveis às luzes das telas por exemplo. Assim, um contato demasiado prolongado pode posteriormente resultar em problemas com a retina, em função da forte emissão de luz azul da tela; coisa que culminaria em problemas de visão. Há também outras desvantagens, como a privação das tradicionais brincadeiras “do lado de fora”, grandes responsáveis por desenvolver a coordenação espacial nessa primeira fase da vida.
No entanto, há quem defenda a tecnologia. Tais defensores sugerem que ela auxiliaria o desenvolvimento cognitivo por se aproveitar oportunamente de uma fase especial de formação do encéfalo. Ninguém pode negar isso por completo. Contudo, a biologia nos fornece fatos para, em certa medida, concluirmos o oposto. O corpo humano é o resultado de pressões adaptativas referentes à caça e à sobrevivência num ambiente de savana; ou seja, nosso corpo foi moldado para correr, pular, se esgueirar, nadar e etc. e não para passar os dias em um sofá deslizando os dedos por um tablet; prova disso são os benefícios físicos da atividade física em contraste com os malefícios do sedentarismo. Privar as crianças disso é, por certo, um erro imenso.
Logo, é preciso reconhecer o problema em si para poder então tratá-lo, e o tal problema, com certeza, é o excesso, a fonte de todos os males relacionados à esse assunto. A tecnologia tem sim os seus pontos positivos, mas é preciso parcimônia. É responsabilidade dos pais, portanto, impor limites ao uso desses “gadgets”. Para tanto, é necessário conhecimento acerca dos riscos. A impressa deve ajudar nesse sentido, pois pode usar os seus canais de comunicação para informar; assim como o Estado, que deverá fazer uso da boa e velha propaganda para contribuir com a profilaxia.