ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 10/03/2020

A obra “Utopia” do filósofo Thomas More, em 1516, retrata uma sociedade lícita, saudável e igualitária. No entanto, diferente das ideologias do autor, no século XXI, tais premissas estão longes da realidade hodierna quando trata-se do combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças. Isso ocorre ora pela ausência da responsabilidade parental, ora pela inação escolar na construção de orientações para essas mídias digitais.

Em primeira análise, impede ressaltar que estabelecer regras são primordiais  para o uso saudável e seguro dos dispositivos tecnológicos. Nesse contexto, segundo o portal de notícias G1, mais de 80% das crianças, de 2 a 13 anos, utilizam - diariamente - alguma tecnologia digital e mais de 5% já sofreram assédio sexual de maneira virtual. Assim, é notório o efeito nocivo da falta de controle para o acesso ao mundo virtual por esses menores. Logo, a participação familiar, como via de interação e educacional tornam-se essenciais para mitigar tal problemática.

Outrossim, é mister enfatizar que o âmbito escolar deve ser capaz de orientar o manejo e os riscos das eletrônicos. Nesse viés, a educação cumpre o que é defendido no Estatuto da Criança e do Adolescente, onde a integralidade psíquica e emocional são responsabilidades de todos que os cercam. No entanto, observa-se a falta de estratégias nessa área de educação tecnológica e as consequências como: déficit de concentração, desenvolvimento cognitivo e de aprendizado. Assim, os instrumentos que deveriam contribuir para a diversão, conhecimento e informação, em excesso, prejudicam a saúde física e mental dessas.

Em síntese, é indubitável o impacto deletério na falha no combate ao uso indiscriminado dos dispositivos digitais pelos menores de idade. Cabe aos pais - responsáveis legais - restringir o tempo e o conteúdo acessado pelas crianças, através de conversas e configurando os aparelhos para desligarem após o limite determinado, a fim de disciplinar e proteger essa geração, facilitando a interação familiar e prejuízos futuros. Além disso, o Ministério da Educação, em consonância com as escolas, devem criar projetos pedagógicos para ministrar aulas e oficinas sobre o uso da tecnologia digital, com o fito de auxiliar no impacto negativo dos eletrônicos. Dessa forma, será possível construir uma sociedade embasada nas ideologias de More.