ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 15/04/2020

No livro “1984”, escrito por George Orwell, uma sociedade distópica futurista é constantemente vigiada por dispositivos eletrônicos chamados “Teletelas” limitando a liberdade e negando totalmente a privacidade. Fora da ficção, o uso indiscriminado das tecnologias digitais expõe a sociedade a vários riscos como a exposição à criminosos que praticam os chamados “crimes cibernéticos”, sendo as crianças os indivíduos mais vulneráveis. Essa é uma realidade que está diretamente associada à realidade do Brasil. Seja pela negligência governamental, seja pela irresponsabilidade social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem a segurança dos menores de idade nos ambientes virtuais. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Johm Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de promover a segurança para a população mesmo nos meios digitais. De certo, isso se demonstra nos recorrentes casos noticiados de prisões de criminosos que fazem parte de redes de pedofilia na internet.

Outrossim, destaca-se a cultura do consumo exagerado das tecnologias digitais por parte da sociedade, que muitas vezes, devido ao senso comum, expõe crianças muito precocemente à celulares e tablets conectados à internet, não percebendo os perigos que essa exposição pode ocasionar. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Isso se demonstra na pesquisa do Instituto Brasileiro De Opinião Pública e Estatística - IBOPE publicada em dezembro de 2019 que diz que quase 25% dos pais compraram tablets para presentear seus filhos no natal.

Diante desse cenário, é mister que o Estado, que tem como finalidade regular e organizar a sociedade, amplie as políticas públicas de fiscalização dos meios digitais, através da criação de um órgão específico para tratar dos crimes cibernéticos contra crianças dentro da polícia civil, a fim de diminuir a ação de criminosos e punir os crimes que já aconteceram. Para que, gradativamente, os prejuízos do uso excessivo da tecnologia descritos por Orwell fiquem apenas na ficção.