ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 21/04/2020

De acordo com o filósofo Platão, em sua obra ‘‘A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria e com justiça, o que favoreceria a contemplação da necessidade de todos e destituiria os problemas sociais.Contudo, na contemporaneidade, a dificuldade em lidar com o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação pelas crianças no país tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, uma vez que a integridade de muitas pessoas tem sido violada por atos deliberados e imorais.Dito isso, a questão cultural e a ineficiência de medidas educativas são pontos de destaque.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que o uso abusivo das mídias digitais pelas crianças reflete os costumes estabelecidos em um certo período histórico.Sobre isso, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, relatou que os indivíduos se relacionam de acordo com uma cultura local.Nesse sentido, a propagação de computadores e o uso de celulares, intensificados com a Revolução Informacional do século passado, evidenciam novas diretrizes tecnológicas que dão origem a uma necessidade incontrolável para consumi-las, o que tem tornado o público infantil, setor com baixo discernimento social, alienados e expostos ao desenvolvimento de vícios e de hábitos sedentários frente ao uso dos aplicativos digitais, como ‘‘Facebook’’ e ‘‘Instagram’’.Tal contexto demonstra, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser combatido, já que, segundo o jornal ‘‘Folha de São Paulo’’, ao sedentarismo virtual cresceu 10% na última década.

Além disso, a ineficiência das medidas educativas justifica o uso indiscriminado das tecnologias de informação pelas crianças.Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago, em sua obra ‘‘Ensaio Sobre a Cegueira’’, há uma ‘‘cegueira moral’’ na conduta de muitas pessoas, a qual impede a valorização de interesses benéficos à coletividade.Nesse viés, o distanciamento dos pais com a educação dos filhos, o qual reflete e inserção crescente do gêneros masculino e feminino no mercado de trabalho, confirma os ditos do pensador português, já que a carência dos agentes educativos torna a exposição abusiva nos aparelhos tecnológicos como algo inevitável, deixando o público infantil a deriva, por exemplo, de crimes virtuais.Não é de se estranhar, portanto, que a pedofilia seja um fato recorrente.

Desse modo, o uso indiscriminado das tecnologias de informação pelas crianças é um imbróglio que precisa ser minimizado.Assim, o Estado, para destituir os vícios tecnológicos e o sedentarismo infantil, deve investir no setor da saúde, por meio de psicólogos nas escolas e de atividades dinâmicas, como campeonatos que prezem pela habilidade motora.Ademais, a Mídia,com seu caráter persuasivo, deve conscientizar os pais sobre a importância da educação virtual, por intermédio de campanhas nas televisões, com o fito de retirá-la da ‘‘cegueira moral’’.Dessa forma, a justiça platônica se efetivará.