ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 06/06/2020

Na obra cinematográfica “Confiar” é relatada a história de uma menina que, ao navegar em suas redes sociais, é aliciada virtualmente por um pedófilo e seus pais, alheios à essa situação, apenas descobrem o ocorrido quando a filha é sequestrada. Não obstante seja ficcional, representa a realidade de inúmeras crianças que, ao realizarem uso indiscriminado de tecnologias digitais de informação, sem supervisão ou instrução, tornam-se vítimas de situações perigosas. Desse modo, elenca-se a ausência de um processo de conscientização efetivo acerca dos perigos advindos do uso precoce das redes e a ampliação dos meios utilizados para propagação de violência devido a expansão tecnológica como embargos que dificultam essa problemática.

Primeiramente, é indubitável, de fato, que o desenvolvimento de tecnologias digitais possibilitou um enorme avanço no que diz respeito a celeridade e ao alcance que as informações são propagadas nos dias atuais. Entretanto, inúmeras consequências negativas foram geradas com esse processo, dentre eles a criação de um meio no qual os problemas sociais pré-existentes na sociedade- preconceito, violência, pedofilia- assumem um novo perfil para atuação- muitas vezes devido ao anonimato, mais perigoso ainda. Desse modo, nota-se que pelo fato dos infantos serem, em grande maioria, inocentes, tornam-se alvos fáceis, como demonstra as pesquisas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde que evidenciam que 56% dos de abuso sexual- incluindo os facilitados pela mídia, ocorrem com crianças. Dessa maneira, mostra-se como o uso indiscriminado do meio digital por crianças gera consequências perigosas e necessita de ações que o  combata.

Outrossim, nota-se que os indivíduos na sociedade hodierna são inseridos nas tecnologias digitais de informação precocemente e, muitas vezes, sem instrução e monitoramento de seus responsáveis. Dessarte, nota-se que as crianças, por estarem iniciando os processos de maturação social e formação de caráter, não possuem noções de certo e errado bem definidas e, se são submetidas aos meios de comunicação que propagam com celeridade e constância informações violentas, podem desenvolver um perfil agressivo, intolerante e com dificuldade em lidar tanto com o outro tanto consigo, análogo ao que o filósofo John Locke, em sua teoria sobre a Tábula Rasa, defendia sobre as pessoas serem telas brancas preenchidas por suas vivências. Por conseguinte, essa pessoa pode vir a ter problemas em interagir socialmente, o que dificulta a vida social, as oportunidades laborais e demonstra a necessidade de combater o uso indiscriminado e precoce por infantos.

Portanto, diante dos argumentos mencionados, evidencia-se a necessidade de ações interventivas capazes de mitigas os fatores que dificultam o combate desse embargo, visto as consequências negativas ocasionadas por esse cercearem o direito à vida e ao desenvolvimento previstos a esses indivíduos. Dessa forma, compete ao Ministério da Educação promover uma campanha de conscientização sobre o uso correto dos meios digitais, tanto para adultos quanto para crianças, por meio de mecanismos físicos e digitais- cartilhas educacionais, propagandas televisivas, debates com profissionais capacitados para cada faixa etária- a fim de desenvolver o senso crítico no que tange a importância do cuidado ao utilizar as tecnologias digitais de informação e reforçar nos adulto a necessidade de monitorar e instruir as crianças para que essas não sejam vítimas da violência virtual. Sendo assim, através dessas medidas, será possível dissolver esse embargo e evitar que o ocorrido no filme “Confiar” torne-se realidade para crianças brasileiras.