ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 13/08/2020

Segundo o filósofo franco-canadense Pierre Lévy, o mundo passa por um processo de virtualização, no qual a realidade se torna refém dos meios digitais. Visto assim, a transição afeta todas as faixas etárias, em especial crianças, as quais ainda não conseguem discernir a influência da internet em seu cotidiano. Dessa forma, é necessário discutir sobre o combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação pelos menores, de forma a destacar primeiro um grande malefício e, logo, um meio para a luta.

A princípio, é importante ressaltar a alienação do meio virtual sobre as crianças como legitimação para seu combate excessivo. De acordo com o psicólogo Jean Piaget, o menor não possui plena capacidade de raciocínio. Nesse sentido, a cognitividade infantil é facilmente influenciada pelos meios tecnológicos de informação, visto o constante contato das crianças modernas, de forma a acarretar uma dependência involuntária como proprôs Lévy. Logo, enquanto não houver uma intervenção, a capacidade infantil estará comprometida.

Outrossim, conscientizar a instituição familiar é o melhor meio na luta contra o contato excessivo dos menores com os meios digitais. Na obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, o português José Saramago ressalva: ‘‘Penso que cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. Sob tal perspectiva, os responsáveis pela criança negligenciam uma disciplina digital, e, ainda, incentivam os menores a usar a plataforma constantemente, trazendo um descaso frente aos malefícios. Desse modo, o princípio para a mudança é a transformação dos pais cegos.

Portanto, discutido sobre o combate no uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, cabe agora ao Estado e seus órgãos efetivar essa ação. Por isso, urge ao Ministério da Educação - órgão responsável por construir cidadãos -, junto ao Ministério da Família, a obrigação de minimizar a dependência infantil dos meios virtuais, por meio de reuniões coletivas com os responsáveis - ressaltando os prejuízos e a debilidade do menor - e da implantação de uma educação digital eficiente. Com o objetivo de resguardar as crianças da influência cibernética, de forma a ensiná-las a lidar com o meio e alertar os pais a necessidade da disciplina digital. Por resultado, o combate ao vício tecnológico infantil será eficaz, contrariando o filósofo franco-canadense.