ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 04/09/2020

A carta enviada por Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manoel 1° descrevia a nova terra descoberta, logo Brasil, como rica, majestosa e de grande perspectiva. Hoje, o cenário do uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças brasileiras não oferta tanta riqueza devido à inação e despreparo governamental para lidar com os prejuízos às relações sociais e a privacidade dos jovens.

Em primeira instância, é essencial salientar que o sociólogo Émille Durkheim afirma, em seus inúmeros estudos, que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva adotada pelo estudioso manteve-se no plano teórico, em virtude do descaso governamental em viabilizar investimentos, aptos a promoverem melhorias nas relações interpessoais com crianças, principalmente. Diante disso, o uso exacerbado de tecnologias pelos jovens, por exemplo, as redes sociais, os celulares, os vídeos games, entre outros, prejudicam a qualidade do sono, tendo como consequência a interferência na comunicação social entre cidadãos que por não dormirem muito sofrem constantes mudanças de humor e personalidade, impedindo o desenvolvimento da sociedade por esses pequenos que serão os futuros trabalhadores. Sendo assim, torna-se evidente a necessidade de medidas para reverter esse empecilho.

Ademais, é perceptível que o preconceito com as crianças existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que tal preconceito foi - e ainda o é - transmitido por gerações, o que evidencia a banalização do cuidado com essa faixa etária. Assim, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo ou preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da discriminação da privacidade das pessoas em mídias digitais. Nesse viés, um exemplo seria o excesso de informações, como endereço, profissão, telefone, e outros, que os indivíduos são influenciados a colocar quando entram no mundo virtual, tornando vulneráveis a ataques de um ser mal intencionado, desenvolvendo até mesmo o bullying. Por isso, a inclusão de crianças nesse mundo digital deve ser mediada para evitar consequências no julgamento de suas atividades.       Por fim, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse, levando-se em consideração as questões abordadas. Sendo assim, cabe ao Governo Federal - órgão responsável pelo bem-estar da população - elaborar um plano nacional de incentivo à prática uso mediado de tecnologias digitais pelas crianças no país, de modo a instituir ações como criar uma palestra, com o “slogan” “ cuidando do futuro”, para explicar aos pais que devem cuidar das atividades digitais de seus filhos, como o acesso a redes sociais, assim como programar um horário específico para largar o celular e dialogar sobre a sociedade no âmbito familiar. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre prefeituras municipais, governadores, famílias e entidades educacionais - haja vista esse fenômeno envolver todos os âmbitos administrativos - que realize periódicos eventos de encontro nas próprias instituições de ensino, mediados por psicólogos. Dessa Forma, a qualidade de vida para toda a população chegará ao ponto máximo de compensação, equilibrando as relações sociais dos meninos e meninas no mundo real e virtual.