ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 21/09/2020
Em um dos episódios da série americana “Black Mirror” é apresentado um dispositivo que atua como uma babá eletrônica mais desenvolvida, capaz de selecionar as imagens e sons que os indivíduos poderiam vivenciar durante a infância. Fora da da ficção, é fato que a realidade retratada pode ser relacionada ao uso indiscriminado de tecnologias por crianças: gradativamente o aumento do uso da internet e sistemas de inteligência artificial corroboram para superexposição de informações, empobrecimento de relações humanas e um declínio intelectual do público infantil.
Decerto as atividades recreativas tradicionais encontram-se cada vez mais raras, uma vez que não se constituem como os brinquedos favoritos da infância moderna. Nesse sentido os dispositivos e jogos eletrônicos tem tido grande influência na maturação cognitiva, afetiva e social das crianças, podendo ser extremamente prejudicial com o uso intenso. Segundo a terapeuta canadense Cris Rowan, a superexposição da criança a celulares, internet e televisão está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem e problemas em lidar com sentimentos como a raiva. E ainda assim, no mundo atual é mais fácil encontrar crianças navegando na internet e usando smartphones do que crianças que sabem amarrar os sapatos.
Porém, mesmo com tantos riscos, muitos pais não parecem preocupados em conter a alienação que assola o público infantil. Dessa forma, sob a justificativa de que atualmente é importante saber trabalhar com as novas tecnologias desde cedo ou simplesmente para evitar aborrecimentos, os pais permitem o uso livre e descontrolado de eletrônicos, o que pode causar problemas não só aos pequenos, mas para toda a família. Inclusive pesquisas sugerem que há menos conexão emocional e até mais conflitos se os progenitores ficam totalmente absortos nos seus smartphones. Nesse sentido, é preciso que os adultos deem o exemplo ao invés de esperar os menores se desapegarem dos aparelhos.
Portanto, urge que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que que haja um combate efetivo ao uso indiscriminado das tecnologias por crianças, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura em conjunto com o Ministério da Saúde criem, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias e palestras, que detalhem os perigos das mídias eletrônicas e superexposição de informações na internet para educar os pais de hoje, e também futuros pais. Assim como, um maior investimento por parte dos pais em atividades familiares, visto que famílias que ficam absortas à TV ou qualquer outro tipo de eletrônicos enfraquecem seus vínculos, tornando a criança mais propensa a imitar tal comportamento. Somente assim será possível combater esse quadro que abastece o desenvolvimento de doenças mentais e o isolamento social.