ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 13/09/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, iniciada na segunda metade do século XX, teve como um de seus principais efeitos o crescimento do acesso à informação. Nesse contexto, a popularização dos meios de comunicação modernos atingiu também o público infantil, o qual, por meio do contato com redes sociais, jogo e sites educativos, ampliou suas fontes de entretenimento e absorção de informações. Entretanto, a exposição de crianças a essas novas tecnologias é, frequentemente, feita de modo equivocado, questão que precisa ser urgentemente combatida, visto que pode acarretar em prejuízos no desenvolvimento infantil, bem como representar ameaças à segurança desses indivíduos.
Em primeiro plano, é válido citar o ponto de vista defendido por John Locke na analogia empirista da “tábula rasa”. Segundo o filósofo inglês, o ser humano nasce como uma folha em branco- uma “tábula rasa”- desprovida de qualquer conhecimento, o qual é adquirido, principalmente, ao longo da infância. Sob essa ótica, percebe-se que as informações absorvidas durante esse período têm grande impacto na formação individual. O contato com os meios informacionais modernos expõe crianças a uma quantia quase imensurável de informações, o que complexifica o controle da qualidade e da utilidade do que será absorvido por elas nesses meios. Desse modo, ergue-se a probabilidade de que o público infantil adquira conhecimento de modo equivocado ou inadequado para a fase da vida na qual se encontra, o que, em consonância com a abordagem de John Locke, pode apresentar efeitos preocupantes no desenvolvimento mental em andamento na infância.
Ademais, há o problema da sensação de segurança promovida em pais e responsáveis pela possibilidade da seleção de conteúdos infantis em muitos sites e redes sociais. Embora pareça, em primeira análise, uma ferramenta benéfica, esta, muitas vezes, resulta na adoção de uma postura despreocupada por parte dos pais em relação à manipulação dos meios de comunicação pelos filhos. Mesmo inseridos nos conteúdos denominados “infantis”, as crianças podem obter contato com informações prejudiciais, assim como, sem a supervisão dos responsáveis, podem manter contato com algum usuário que visa a tirar proveito da ingenuidade do público infantil naquela plataforma.
Portanto, é indispensável que o contato das crianças com as tecnologias informacionais em questão seja mediado por pais e responsáveis. Faz-se necessário que centros de ensino responsáveis pela educação infantil incentivem o uso pertinente dos meios de comunicação por meio de palestras e eventos que reúnam pais e profissionais da educação, com vistas a alertar sobre a necessidade de se promover um ambiente tecnológico próprio para o aprendizado das crianças. Dessa forma, o público infantil poderá aproveitar efetivamente a crescente ampliação do acesso à informação.