ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 29/09/2020

“Wall-E”, filme de animação produzido pela Disney/Pixar, narra um futuro distópico no qual o ser humano, desde o nascimento, está inserido em um contexto que favorece o culto à alienação, propicia a manipulação através da mentalidade consumista do Capitalismo e, de certa forma, contribui com o sedentarismo, uma vez que, a partir da criação dos robôs e Inteligências Artificiais, tarefas banais como andar tornaram-se obsoletas. De forma análoga à ficção, os seres humanos de 2020 rumam para o mesmo preocupante destino apocalíptico, visto que cada vez mais cedo crianças são impactadas pelo uso indiscriminado das redes sociais e suas péssimas consequências.

É fulcral pontuar, primeiramente, que o uso abusivo de redes sociais como o Facebook contribui para que crianças tornem-se mais radicais e alienadas. Essa lógica é comprovada pelo cientista de dados Tristan Harris , em seu relato no documentário “O Dilema das Redes”. Através do relato, entende-se que as redes sociais tornam-se economicamente viáveis apenas quando anúncios podem ser vendidos com a certeza de que o anunciante alcançará seu público alvo. Dessa forma, a plataforma precisa tanto que seus usuários forneçam terabytes de dados a respeito deles mesmos, quanto que fiquem presos ao site 24 horas por dia, gerando engajamento e visualização de publicidade. Todavia, a forma encontrada pelos algoritmos que regem as redes para que o objetivo principal de monetizá-las fosse alcançado foi a de radicalizar e polarizar todos os aspectos da sociedade, produzindo debates alienados, pautados por fake news que resultam em conflitos sem nexo e fim. Soma-se isso ao fato de 68% das crianças de 11 a 12 anos possuírem um perfil em redes sociais, segundo dados da Academia Americana de Pediatria, e o cenário mais propício para uma nova geração alienada e radicalizada será efetivado.

Além disso, a retenção frente às telas forçada pela supracitada manipulação dos algoritmos alia-se ao vícios em jogos digitais, impedindo que as crianças pratiquem atividades físicas para que a obesidade infantil seja prevenida. Nesse viés, o relatório feito pelo aplicativo parental “AppGuardian” informa que mais de 50% do tempo das crianças tem sido consumido por tecnologias digitais, provando que esse vício substitui de forma pouco produtiva outras atividades, inclusive as relacionadas ao físico, resultando no aumento dos níveis de sedentarismo e, consequentemente, de obesidade.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de criação de medidas que possam atenuar os impactos do uso das tecnologias digitais. Nesse contexto, o Legislativo, através da criação da lei de Proteção Digital de Menores, deverá regulamentar que crianças abaixo de 18 anos não poderão ter redes sociais, pela semelhança dos efeitos colaterais das droga viciantes. Dessa forma, crianças serão informadas dos malefícios das tecnologias antes de, por lei, poderem usá-las. Logo, o futuro distópico de Wall-E não se