ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 21/10/2020
De acordo com dados divulgados pela Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), quase 20% das crianças entrevistadas divulgam o próprio endereço em suas redes sociais, que são perfis públicos. Com efeito, esse número alarmante é reflexo do perigoso uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças. Nesse sentido, faz-se relevante verificar como a lacuna educacional e o silenciamento sustentam essa problemática, para que, compreendendo suas causas, se possa combatê-la.
Primeiramente, convém observar que a obsoleta formação educacional vigente colabora severamente para a consolidação desse cenário. Diante disso, conforme o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação deveria ser emancipatória para estimular os jovens a desenvolver as habilidades necessárias para que se empoderem. Sob esse viés, percebe-se que a educação brasileira passada para as crianças hodiernas — a qual ainda é baseada nas necessidades das gerações menos envolvidas com as tecnologias virtuais — é ineficiente para instruí-las, pois suas habilidades digitais não são plenamente desenvolvidas, sujeitando-as ao uso anárquico dessas, o que as superexpõe tanto a perda de sua privacidade, quanto a materiais indevidos, como conteúdos sexuais.
Em segundo plano, vale analisar que a falta de debates é um fator agravante dessa séria conjuntura. Nesse contexto, Jurgen Habermas, filósofo alemão, contribui com o princípio da ação comunicativa, segundo o qual o diálogo dentro da comunidade é um artifício elementar para seu entendimento e atuação na causa. Nessa perspectiva, nota-se que a evidente carestia de discussões acerca do uso infantil e desregrado das tecnologias torna a questão pouco visibilizada e, por conseguinte, com pouca atuação no seu combate. Desse modo, é preciso que se traga à pauta essa prática para que ela não mais se perpetue.
Portanto, para alterar esse quadro reprovável, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, promover rodas de conversas e palestras sobre como incentivar a utilização adequada das tecnologias pelas crianças, por meio de um evento no período extraclasse com a participação dos alunos e suas famílias, professores e especialistas convidados, a fim de combater o uso pueril indiscriminado das ferramentas digitais, formando cidadãos mais responsáveis e protegidos. Ademais, essa reunião deve ser aberta à comunidade, objetivando alcançar o maior público disponível. Assim, possivelmente índices preocupantes, como o da SMP, serão apropriadamente reduzidos.