ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 08/11/2020
No seu conceito de “Indústria Cultural”, os filósofos da escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, problematizam as indústrias que buscam o lucro sem pensar nos impactos que seus produtos provocam na sociedade. Nessa acepção, empresas de tecnologias digitais, com o objetivo de faturar, direcionam os seus produtos ao público infantil que, por sua vez, ficam atraídos por essas novidades e, à vista disso, sujeitos a passarem horas na rede mundial de computadores. Com efeito, consequências, como o sedentarismo e a fragilidade das crianças — frente ao uso indiscriminado dessa ferramenta —, tendem a agravar-se.
De início, o uso exagerado de tecnologia pode influenciar o sedentarismo. A esse respeito, Hipócrates, considerado o pai da medicina, alertava que a anatomia humana exige constante movimento. Nesse viés, crianças, fazendo uso indiscriminado da tecnologia digital, são impedidas de experimentar brincadeiras que exigem a dinâmica corporal. Dessa forma, o hábito sedentário torna-se intrínseco na vida das crianças, o que pode acarretar malefícios à saúde, como a obesidade. Assim, enquanto a tecnologia atrelada à inércia prevalecer, substancial parcela de meninas e de meninos serão obrigados a conviver com maiores riscos de doenças.
Ademais, no ambiente virtual, sem acompanhamento familiar, os menores de idade estão vulneráveis aos perigos da internet. Seguindo essa perspectiva, segundo o blog “Spm”, quase 30% do público infantil obtiveram contato com internautas desconhecidos. Nesse sentido, evidencia-se o grave risco que essa faixa etária enfrenta, visto que adultos mal-intencionadas podem manipulá-las para, eventualmente, cometer crimes hediondos contra essa parcela indefesa. Dessa maneira, é razoável que exista um monitoramento do uso dessas tecnologias para que essas crianças não corram o risco de sofrer com perigos que a web possibilita.
Salienta-se, portanto, a relevância das crianças desvencilhar do uso indiscriminado das tecnologias digitais. Para isso, o Ministério da educação, em parceria com a família, deve incentivá-las a diminuírem o acesso aos meios digitais por meio da apresentação e permissão de brincadeiras infantis —como pega-pega e amarelinha —, as quais movimentam o corpo e proporcionam diversão nas horas vagas. Isso teria a finalidade de estimulá-las a permanecer, na maior parte do tempo, longe das telas eletrônicas. Além do mais, é imprescindível que os país supervisione o pouco tempo de uso dos filhos. Destarte, o público infantil desprender-se-á das amarras da indústria cultural.