ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 10/11/2020
O filme “Cuties”, exibido pela plataforma de streaming Netflix, retrata a história de uma garota de apenas 11 anos que se torna obcecada por “likes” na internet, submetendo-se à situações extremas a criança vê sua infância e integridade prejudicadas pela mídia. Fora das telas, o longa levantou debates intensos acerca do uso indiscriminado das tecnologias informacionais durante a fase infantil. Nesse cenário, é preciso entender as causas que motivam essa dependência ao mundo tecnológico e as consequências dessa realidade na formação dos jovens brasileiros.
Em primeiro momento, faz-se necessário compreender os motivos que corroboram para intensificar essa problemática. Assim, de acordo com dados coletados por uma pesquisa da Youpix, em 2019, apenas dez por cento dos entrevistados não se consideravam influenciados por “digital influencers”. Nesse sentido, a criança exposta ao meio midiático recebe influência direta dessa parcela social e se inspira nessa, uma vez que, consoante o filósofo prussiano Kant, o indivíduo, em seu estado de minoridade, ainda não é capaz de pensar por conta própria. Dessa forma, ela se torna suscetível a agir de maneira semelhante a esses criadores de conteúdo, além de se sentir compelida a ser um deles, se expondo ainda mais no meio digital.
Ademais, em muitos casos, o incentivo à exposição parte dos próprios pais, a exemplo do menino José, de apenas 4 anos, filho do casal de influenciadores Sarah e Johnatan Pôncio, o qual é acompanhado pela internet desde o dia de seu nascimento. Contudo, o uso excessivo desses meios apresenta inúmeras consequências negativas. Nesse contexto, expor a vida do menor publicamente pode acabar trazendo prejuízos, tal como as críticas e, principalmente, a frustração, afetando a saúde mental da criança, pois se vê pressionada por um padrão inexistente. Além disso, muitos acabam vulneráveis a serem sexualizados diante de certas postagens provocativas e a acessarem conteúdos censurados para sua faixa etária, antecipando sua fase de crescimento e maturidade.
Diante do exposto, é nítido que a nomofobia -nome dado a dependência tecnológica- deve ser combatida durante a fase infanto-juvenil. Portanto, cabe a família estabelecer uma supervisão parental às redes sociais, por meio de diálogo com os filhos, para que eles organizem horários e tempo de acesso a suas postagens, respeitando os limites impostos, com o fito de ensiná-los sobre privacidade, para não informarem endereço de casa, escola ou lugares que frequentam, telefone, imagens íntimas ou marcar encontros, e objetivar a garantia da segurança física, moral e emocional deles, longe da superexposição digital. Somente assim, ocorrerá a erradicação desse problema que afeta diretamente o direito a uma infância plena, se afastando cada vez mais da realidade mostrada pelo filme “Cuties”.