ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 11/11/2020

No seu conceito de “Indústria Cultural”, os filósofos da escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, problematizam as indústrias que visam o lucro sem pensar nos impactos que seus produtos provocam na sociedade. Nesta acepção, empresas de tecnologias, com o objetivo de faturar, direcionam diversos jogos e aplicativos ao público infantil que, por sua vez, atraído por essas novidades, sujeita-se a despender horas navegando na rede digital. Com efeito, consequências negativas, como o sedentarismo e a vulnerabilidade das crianças, tendem a agravar-se.

De início, o uso exagerado de tecnologia pode promover uma rotina sem a prática de exercícios físicos. A esse respeito, Hipócrates, considerado o pai da medicina, alertava que a anatomia humana exige constante movimento. Por esse ângulo, crianças, fazendo uso indiscriminado de programas digitais, perdem o interesse de experimentar brincadeiras que exigem a dinâmica corporal, uma vez que mantém mais proximidade com os jogos virtuais. Dessa forma, o hábito sedentário torna-se intrínseco já na infância, o que pode acarretar malefícios à saúde, como a obesidade. Assim, enquanto a tecnologia atrelada à comodidade prevalecer, substancial parcela de meninas e de meninos serão obrigados a conviver com maiores riscos de doenças.

Ademais, no ambiente virtual, sem acompanhamento familiar, essa parte juvenil da sociedade está suscetível aos perigos da internet. Acerca disso, segundo o blog “Spm”, quase 30% das crianças obtiveram contato com internautas desconhecidos. Nesse sentido, a pesquisa evidencia o grave risco que as quais convivem, visto que adultos mal-intencionados podem manipulá-las para, eventualmente, cometer crimes hediondos contra esse público naturalmente indefeso. Dessa maneira, o monitoramento, durante a utilização das tecnologias de informação, torna-se necessário para afastar os perigos advindos da web.

Salienta-se, portanto, a relevância das crianças desvencilhar do uso irregular de recursos computacionais. Para isso, O Ministério da Educação, na figura das escolas, em parceria com a família, deve incentivá-las a diminuírem o acesso aos meios digitais por meio da apresentação e permissão de brincadeiras infantis —como pega-pega e amarelinha —, as quais movimentam o corpo e proporcionam diversão nas horas vagas. A iniciativa teria a finalidade de estimulá-las a permanecer, na maior parte do tempo, longe das telas eletrônicas. Além do mais, é imprescindível que os pais supervisionem o uso de tecnologia da informação dos filhos. Destarte, o público infantil desprender-se-á das amarras da indústria cultural.