ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 17/12/2020

Pandemia pelo coronavírus, distanciamento social, aulas online, maior tempo em frente às telas: essa tem sido a realidade das crianças na quarentena de 2020, o que as aproximou ainda mais de celulares, tablets e computadores. Quando ainda não se pensava nessa realidade, em abril de 2019, a Organização Mundial de Saúde publicou um estudo em que aconselhava os pais a limitar, a intervalos determinados de acordo com a idade, o acesso às telas. Diante do contraste entre a realidade e as orientações científicas, cabe avaliar os aspectos positivos e negativos do uso das tecnologias digitais de informação, bem como a necessidade de limitação do acesso, para que se crie uma condição favorável à saúde física e mental da criança. Em primeiro plano, estudos na área da neurociência têm mostrado que estímulos sensitivos variados são capazes de produzir maior número de sinapses neurais, o que aumenta a velocidade de processamento das informações pelo cérebro e, se associados a uma alimentação saudável e ao sono regular, constituem aliados para a memória e o aprendizado. Sabendo disso, as escolas têm adequado a sua metodologia de ensino para incluir as tecnologias digitais já nas primeiras classes, criando a impressão, no seio familiar, de que essa modalidade seja totalmente benéfica e isenta de riscos para os infantes. Isso não é totalmente verdade. Por um lado, as tecnologias permitiram que, mesmo na pandemia, as distâncias físicas fossem reduzidas, favorecendo a manutenção de elos e a criação de novos relacionamentos, crucial para o desenvolvimento do ser social, de acordo com o filósofo grego Aristóteles. Por outro lado, o seu uso abusivo e sem o freio da família pode provocar miopia, sono deficiente, além de ser passível de gerar o hábito do sedentarismo e, a longo prazo, elevar as taxas de obesidade, problemas cardiovasculares e diabetes infanto-juvenil. Sob outro prisma, cada hábito formado na primeira infância ganha mais tempo de repetição e, consequentemente, torna-se mais forte, determinando o modo de vida do indivíduo no futuro. Essa teoria foi descrita por Charles Duhigg no livro “O poder do hábito”, no qual o autor apresenta, por meio de embasamento científico, o processo de formação da personalidade do ser, tomando como base seus hábitos, bem como a possibilidade de alterá-los. Neste último caso, o papel da família é decisivo, com a limitação do tempo de uso das telas pelas crianças – especialmente antes de dormir -, direcionando-as para a realização de exercícios físicos no ambiente doméstico, além de estimulá-los com brincadeiras ou atividades que criem descontração e aproximação, passíveis de gerar bem-estar, de modo que possam ser associadas psicologicamente ao lazer no ambiente doméstico. Em conclusão, é imprescindível que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de comunicados regulares, cobre das escolas que estas alertem seus alunos acerca das consequências de se ficar longos períodos em frente às telas, com o fito de promover maior conscientização dos perigos a elas associados. Esse tipo de alerta escolar precisa ser direcionado para as faixas etárias, apresentando linguagem apropriada e de abordagem lúdica. Outrossim, as famílias têm papel crucial no controle do acesso, que pode ser feito com o auxílio de aplicativos de monitoramento do tempo de uso e conteúdo acessado. Dessa forma, crianças viciadas em tecnologia digital não figurarão entre a inúmera lista de consequências da pandemia de 2020.