ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 18/12/2020

Um dos maiores criadores de conteúdos do Youtube no Brasil, Felipe Neto, começou na internet publicando vídeos onde criticava agressivamente a cultura pop. Apesar disso, foi somente quando tornou seu conteúdo atrativo para o público infantil que ele atingiu seu auge, o que exibe a nova realidade do consumo de entretenimento digital por parte das crianças. No entanto, o uso indiscriminado dessas tecnologias pode afetar o aprendizado, a qualidade de vida e a segurança dos menores, problema que é agravado tanto pela negligência de instituições sociais quanto pela ineficácia de ações políticas.

Em princípio, é imperativo pontuar que o descaso de famílias e outras instituições sociais acerca do uso de tecnologias digitais por crianças intensifica o problema no Brasil. Isso decorre, principalmente, do fato de a discussão sobre o assunto ser pouco difundida, o que faz que crianças utilizem as mídias digitais sem nenhuma orientação, colocando, muitas vezes, sua segurança em risco. A título de ilustração, dados disponíveis em blog.smp.org.br mostram que 29% das crianças tiveram contato com desconhecidos pela internet, o que evidencia a gravidade do problema. Nesse sentido, verifica-se que ainda há muita negligência a respeito das crianças no mundo digital por parte dos brasileiros.

Ademais, é flagrante a ausência de políticas públicas suficientes para combater problemas infantis causados pelo uso indiscriminado de aparelhos digitais. Essa debilidade pode ser comprovada pelo descaso do Ministério da Saúde, que ignora ações que poderiam garantir maior qualidade de vida aos menores, como projetos que incentivem uma infância mais desligada do ambiente virtual visto que, segundo pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), citada pela Abril, o consumo infantil exacerbado de informação digital pode causar problemas cognitivos. Logo, é necessário maior engajamento das autoridades competentes para resolver essa questão no país.

Portanto, com o objetivo de combater os problemas causados pelo uso indiscriminado de aparelhos digitais pelos pequenos, compete a famílias ampliar, por meio de mais diálogos domésticos, a necessária preocupação com o comportamento da criança nas redes sociais e com o tempo que ela fica exposta ao ambiente virtual. Além disso, cabe ao Governo Federal intensificar investimentos em políticas públicas para incentivar uma infância mais “off-line”, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar mais recursos específicos ao Ministério da Saúde para contemplar essa questão.