ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 27/12/2020

Segundo as ideias do sociólogo polonês Zigmunt Bauman, na obra “A riqueza de poucos beneficia todos nós?”, quanto maior a liberdade na tela, mais irresistível se torna o desejo de experimentar. No contexto atual, marcado pelo descaso geral em relação à segurança infantil, percebe-se uma deturpação dos deveres previstos no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Sob tal ótica, o combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças deve ser feito pelas famílias e pelo Estado. Assim, faz-se imperioso determinar como a sociologia e a filosofia lidam com essa questão, apontando caminhos para mitigar essa problemática.

Em uma primeira instância de observação, as concepções do sociólogo americano Talcott Parsons explicam a importância dos familiares para conter esse problema. Em sua visão, a família “é uma máquina que produz personalidades humanas”, ou seja, suas ações impactam de maneira positiva ou negativa o comportamento das crianças. No panorama brasileiro, contudo, cerca de 80% dos pequenos navegam no celular diariamente, indicando a falta de controle dos pais sobre o uso de tecnologias por seus filhos. Infelizmente, essa desatenção pode desencadear sérios problemas no desenvolvimento físico e intelectual durante a infância, como: sedentarismo, obesidade e falta de concentração. Destarte, a família corresponde a linha de frente dessa luta.

Ademais, uma segunda linha de pensamento destaca a importância de ações estatais para amenizar os impactos negativos do uso tecnológico por crianças. Consoante ao filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social, sobretudo, a segurança virtual. Nesse sentido, a ausência de mecanismos rigorosos de vistoria de perfis sociais na internet permitem que um número significativo de menores adentrem ao mundo cibernético. Prova disso são dados do blog SMP (Sociedade Mineira de Pediatria), com 68% das crianças entre 11 e 12 anos em redes sociais. Evidencia-se, então, que, o Estado também se mostra ineficiente ao combate da problemática.

Verifica-se, portanto, que o combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças deve ser efetivado. Logo, incumbe ao Ministério da Saúde orientar as famílias sobre os malefícios causados ​​pela utilização exagerada de meios tecnológicos, por meio de workshops especializados, com a presença de profissionais contratados para ministrarem palestras, com o objetivo de que os responsáveis possam  instruir seus filhos e, assim, diminuir o uso exacerbado de tecnologias. Outrossim, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações criar setores de fiscalização para evitar perfis de menores nas redes sociais. Enfim, com tais ações, o incessante desejo de experimentar proposto por Bauman, não será maléfico para as crianças.