ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 29/12/2020

À entrada do Oráculo de Delfos, monumento da Grécia Antiga, havia a frase do pensador Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Notadamente uma referência à importância da valorização do indivíduo, da sua subjetividade e interesses. Nesse sentido, é de suma relevância analisar a problemática do uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, um produto de uma sociedade não alinhada ao pensamento socrático. Isso ocorre, ora em função do infrutífero monitoramento das atividades dos pequenos, ora pela insuficiente instrução do uso.

A princípio, segundo uma pesquisa publicada pela revista O Tempo, jogos e redes sociais consomem mais de 50% do tempo do público infantojuvenil. Tal dado explicita quais têm sido os interesses desse público e o quanto estão envoltos pelo universo digital. Dessa maneira, fica implícito que, por consequência do acesso intenso, crianças e adolescentes estão vulneráveis aos riscos que a exposição pessoal nas redes dispõe, e que é potencializado à medida que estes sujeitos ficam à mercê de um olhar cuidadoso e vigilante de adultos responsáveis, que monitorem e orientem quais informações podem ser expostas.

Outrossim, o filósofo Immanuel Kant defende que é no problema da educação que assenta o segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Assim, embora haja benefícios na aprendizagem e nos relacionamentos sociais a partir da interatividade possibilitada pelos diferentes dispositivos de mídia digital, o ônus implicado a esse uso também deveras ser revertido e evitado com o bom uso da educação. A insuficiente instrução acerca da utilização dessa ferramenta digital, que é a internet, mostra-se, portanto, como um dos maiores desafios a ser combatido. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e o uso ideal das tecnologias digitais precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Ministério da Educação implemente disciplinas de educação digital nas escolas, que instruam e orientem seus alunos quanto ao funcionamento da internet e os respectivos riscos da exposição de informações particulares. Posto isso, é importante que tal ação foque em, por meio do ensino, preparar a coletividade juvenil para se servir e atuar nas redes de forma segura e consciente. Ademais, é imprescindível que o Governo Federal promova campanhas midiáticas que estimulem e direcionem pais e responsáveis a monitorar as atividades dos menores em rede. Dessa forma, resolver-se-ão as questões associadas aos uso indiscriminado das tecnologias digitais por crianças e, por fim, alcançar-se-á o anseio de Sócrates.