ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 01/01/2021
A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XX, trouxe diversas novas tecnologias que modificaram os processos de comunicação, como a internet. No entanto, essa cultura de comunicação instantânea apresenta aspectos negativos, uma vez que, no Brasil, parcela considerável dos jovens têm seus hábitos comportamentais modificados, segundo pesquisa da Universidade Estadual de Campinas. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da base educacional lacunar, bem como pela falta de diálogo entre os pais e as crianças.
A princípio, a falta de um sistema de educação que prepare os jovens para os novos paradigmas tecnológicos do século XXI caracteriza-se como um complexo dificultador. Sob essa ótica, de acordo com o filósofo Kant, o homem é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Desse modo, no que tange ao uso precoce de aparelhos e ferramentas tecnológicas pelos jovens, é possível perceber a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajudem os adolescentes e crianças a utilizarem tais tecnologias de maneira saudável e construtiva.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de debate. Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sendo assim, para agir com eficiência em relação ao uso excessivo de instrumento tecnológicos pelas crianças, se faz necessário que os pais, que são a autoridade máxima dos filhos, dialoguem sobre o assunto. No entanto, segundo reportagem da página de notícias G1, os pais estão cada vez mais ausentes no processo de educação das crianças, o que dificulta manter um diálogo constante. Evidencia-se, portanto, que os pais precisam participar de maneira ativa no processo educacional dos filhos.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, as escolas, em parceria com a prefeitura, devem promover a criação de um espaço para rodas de conversa e debates em torno do uso excessivo de aparelhos tecnológicos pelas crianças, com o objetivo de construir um comportamento de uso mais saudável de tais recursos. Sendo assim, tais cursos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, esses cursos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao uso benéfico de aplicações digitais e se tornem cidadãos atuantes na busca por resoluções.