ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 10/01/2021

Segundo o teórico Marshall McLuhan,“o homem cria a ferramenta,e a ferramenta recria o homem”.Tal pensamento encaixa-se na situação hodierna,em que as tecnologias digitais de informação recriam o homem e suas ações,muitas vezes negativamente,algo exemplificado pelo uso indiscriminado dessa ferramenta pelo público infantil.Dentre os fatores que desafiam o combate dessa conjuntura,destacam-se a inclusão dos indivíduos na era globacional-que exige o domínio e o convívio com essas tecnologias- e o escasso policiamento sobre as ações das crianças no meio virtual.

Nesse cenário,é destacável que a influência do contexto histórico-social dificulta a resolução do problema.Primeiramente,em Esparta,as crianças eram acostumadas a seguir a carreira militar desde cedo,ou seja,a ideologia dominante na pólis direcionava as ações e as escolhas desse grupo.De forma análoga,na fase da Globalização,à parcela infantil brasileira,desde cedo,é imposta,de forma direta-no processo educacional,por exemplo- ou indireta-pela atratividade dessas tecnologias-,a adesão ao modelo vigente,conectividade.Contudo,como feito pelos espartanos,esse contato deve se adequar às faixas etárias,o que não acontece em parte dos casos.Em consequência,danos físicos,emocionais e cognitivos tornam-se frequentes,como obesidade,depressão e dificuldades de aprendizado e memória.

Ademais,a escassa vigilância é outro fator que leva ao uso indiscriminado.De início,no episódio “Queda livre”,da série “Black Mirror”,a protagonista segue as posturas e regras sociais,por ter uma pontuação determinada a partir da avaliação de outros indivíduos quanto sua conduta,o que corrobora com a ideia do filósofo Thomas Hobbes de que,sem vigilância,o homem não vive sob as regras sociais.Diante disso,imersa em um ambiente cibernético de maior liberdade e menor controle pelos familiares e outros agentes de coersão sobre o conteúdo acessado e difundido,a criança pode ferir preceitos básicos sociais,como a própria privacidade-algo que,segundo dados da Associação Americana de Pediatria,é realizado por mais de 50% dos entrevistados,por compartilhamento de endereço e telefone-,o que,consequentemente,pode levar a casos de abusos emocionais e sexuais,além de ameaças.

Perante tal panorama,portanto,urge solucionar tais desafios.Logo,é dever do Ministério da Cidadania,junto a ONGs,promover a compreensão da necessidade de uso controlado das tecnologias,além dos perigos do uso desregrado.Isso poderá ser feito por meio de campanhas nacionais educativas-presenciais ou virtuais,guiadas por especialistas em tecnologia e psicólogos,e voltadas à orientação dos grupos infantil e adulto para o usufruto saudável e seguro dessas ferramentas-com o fito de mudar a postura familiar acerca do problema e ampliar o engajamento na prevenção do problema.Dessarte,a recriação positiva do homem,pela ferramenta,será preponderante.