ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 15/01/2021
A Era Digital vigente desde 1970 fez do uso de tecnologias da informação uma idiossincrasia do corpo social contemporâneo, já que lhe traz inúmeras benesses. Entretanto, esse uso se estende à infância, muitas vezes, indiscriminadamente, o que pode significar um problema para a formação das crianças. Destarte, apontam-se o acelerado ritmo de mudanças e a dependência ao meio digital como objetos a serem analisados.
Primeiramente, as constantes alterações do mundo hodierno incitam a forte presença do arcabouço digital na vida dos mais jovens. Essa realidade foi denunciada pelo cientista político brasileiro Sérgio Abranches no livro “A Era do Imprevisto”, na medida em que o autor defende a “digitalização da sociedade”, ou seja, em razão do rápido e imprevisível fluxo de informações da contemporaneidade, mais indivíduos antenados aos meios de comunicação digitais são precisos. Sob essa perspectiva, afirma-se que essa urgência por pessoas imersas às tecnologias digitais de informação, infelizmente, promove e alicerça a inserção delas na formação das novas gerações de modo pouco preocupado, “digitalizando”, portanto, as crianças.
Por conseguinte, considerando que, segundo o sociólogo Immanuel Kant, “o indivíduo é aquilo que a educação faz dele”, uma geração alienada ao ambiente cibernético é eminente. Esse pressuposto foi bem ilustrado no episódio “Queda Livre” da série “Black Mirror”. Nele, um contexto no qual as tecnologias orquestram as interações sociais é posto em voga atrelado a personagens dependentes delas até mesmo para não serem, por exemplo, segregadas do corpo social. Logo, se o meio digital for despreocupadamente conservado no cotidiano das crianças, assemerlhar-se-á, provavelmente, a realidade ao que foi oferecido por “Queda Livre”: pessoas alienadas e controladas pela tecnologia a longo prazo.
Portanto, vistos os riscos inerentes ao uso indiscriminado de tecnologias de informação por crianças, cabe ao Brasil atenuar essa problemática visando servir de exemplo às outras nações. Compete-lhe, pois, por ação do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, o dever de conscientizar diretamente as familias sobre os perigos da presença do meio cibernético na formação dos mais jovens, mediante propagandas nos principais meios de comunicação em massa nacionais – televisões, rádios e mídias sociais. Espera-se, com isso, postergar a “digitalização” das gerações jovens na sociedade brasileira, de forma a evitar a alienação precoce às tecnologias e servir de espelho aos outros países. Assim, as benesses da Era Digital serão mais evidentes e as famílias poderão protagonizar o que foi idealizado por Kant: indivíduos formados pela educação familiar antes de pelas tecnologias digitais.