ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 03/03/2021
O termo “Nomofobia”, de origem inglesa, é um transtorno psicológico que afeta grande parcela da sociedade contemporânea e globalizada, consistindo no medo excessivo de ficar sem o celular, representando um vício pela tecnologia digital. Dessa maneira, sabe-se que as crianças também têm sido gravemente atingidas por esse fenômeno, tendo em vista que elas usufruem indiscriminadamente dos recursos tecnológicos, gerando problemas de saúde, sociais e psicológicos. Tais consequências são originadas pela superficialidade das relações sociais, pois, cada vez mais os pais ou responsáveis têm transferido a responsabilidade no processo educacional de crianças para os celulares. Assim, fica evidente a urgência, não apenas de medidas socioeducativas como também medidas judiciais capazes de combater o avanço do uso irrestrito da tecnologia por crianças. Primeiramente, é imprescindível notar que a prática de atividades físicas colabora para combater o uso excessivo das tecnologias por crianças. Nesse contexto, o Blog da Sociedade Mineira de Pediatria (SPM) indicou que 82% delas navegam pelo celular diariamente. Dessa maneira, o sedentarismo infantil ocorre porque o tempo das crianças é destinado, na maioria das vezes, para a utilização de tecnologias, impedindo a constância de exercícios físicos. Consequentemente, há um aumento na massa corporal e perda de rendimento nas atividades escolares, interferindo no aprendizado. Nesse contexto, a falta de posicionamento dos pais e da escola, por não incentivar o desapego tecnológico e não fomentar a realização de exercícios para a saúde, gera o surgimento de doença, como a obesidade. Logo, observando a omissão dos responsáveis em não restringir o tempo nas redes, notoriamente prejudicial, fica claro a urgência de medidas socioeducativas. Ademais, torna-se lícito ressaltar que o uso irrestrito das tecnologias de informação pelas crianças necessita ser combatido, tendo em vista a falta de interatividade social que o excesso das redes engendra. A obra literária “Sociedade do Cansaço”, escrita pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, mostra que a contemporaneidade é marcada por um excesso de busca pelo alto desempenho, o que culmina em diversas conseqüências. Nesse sentido, os pais têm terceirizado a educação dos filhos para os celulares, e assim, invertendo os papéis já que a tecnologia “educa” e fornece entretenimento às crianças. Por conseqüência, ocorre a superficialidade dos relacionamentos, fazendo com que as crianças tenham dificuldade de interatividade e desenvolvam problemas psicológicos. Diante do exposto, cabe avaliar a importância de combater o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças. Portanto, para solucionar essa questão, faz-se necessário que o Ministério da Educação crie um Programa Nacional do Uso Restrito de Tecnologias Digitais pelas crianças por meio de um projeto de lei a ser votado no Congresso que oferecerá os incentivos às escolas que fornecerem palestras que alertem aos pais os malefícios do uso do celular pelas crianças e a necessidade de atividades físicas com o objetivo de evitar o sedentarismo e outros problemas. Além disso, o Judiciário deve fiscalizar perfis que crianças usam que não são monitorados pelos pais a fim de evitar o isolamento social.