ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 18/04/2021

Em o “O auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da formação familiar e da má influência midiática.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a formação familiar presente na questão. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica a problemática do uso exacerbado das tecnologias digitais pelas crianças apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a má influência midiática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevam o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio de produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando com o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Por fim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois como defende Martin Luther King; “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.