ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 22/08/2021

O Brasil ocupa a terceira posição mundial no tempo de permanência em mídias sociais, de acordo com a pesquisa realizada pela agência We Are Social, os internautas brasileiros passam, em média, nove horas e 14 minutos por dia conectados. Diante dessa realidade, as crianças acabam por estarem também hiperconectadas e esse hábito é prejudicial em diversos âmbitos. Dessa forma, a saúde física e mental podem ser fragilizadas, além dos perigos do aliciamento online, focado nas vitimas consideradas mais fáceis, principalmente quando não há atenção redobrada por parte dos responsáveis desses jovens e sem as orientações corretas quanto ao uso dessas ferramentas.

Primordialmente, o uso exacerbado da internet na infância pode desencadear diversos problemas no que tange o desenvolvimento dos seres humanos. Não por acaso, a OMS incluiu o vício em jogos eletrônicos na classificação de doenças mentais devido as consequências serem comparadas com a dependência química. Dessa maneira, é essencial preservar a integridade dos indivíduos em formação, para que os sentimentos de solidão, ansiedade e depressão não aumentem exponencialmente nessa faixa etária. Por isso, a convivência social saudável deve ser estimulada, para que o mundo virtual não seja o novo parâmetro de realidade, já que nas redes sociais é frequente a manipulação e a distorção das imagens, principalmente quando os usuários decidem expor apenas os momentos bons e as conquistas grandiosas, o que pode ocasionar distúrbios nos jovens na fase da vida em que estão buscando referências e constituindo seu caráter e personalidade.

Outrossim, o aliciamento de menores online é um crime cada vez mais recorrente e demonstra o perigo do uso indevido de diversos aplicativos e redes sociais. Em 2014, o relatório da ONU sobre tráfico mundial de pessoas revelou que 33% das vítimas eram crianças, com o intuito de serem exploradas sexualmente, destinadas ao trabalho escravo ou remoção de órgãos. É evidente que os predadores cibernéticos se aproveitam da vulnerabilidade e da falta de discernimento para estabelecerem relações de confiança, dependência e coerção para alcançarem as finalidades supracitadas.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação atue em conjunto com o Ministério da Saúde para promoverem aulas e eventos de orientação para os jovens e responsáveis acerca das respostas psíquicas ao uso demasiado da internet, além de esclarecer os riscos de crimes online, ao exemplificar como e quando eles ocorrem. Além disso, é de suma importância elucidar aos tutores das crianças a responsabilidade de protegerem as mesmas dessas armadilhas. Logo, elas poderão se desenvolver com qualidade e estarão amparadas de criminosos e deixarão de serem vítimas em potencial.