ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 12/07/2021

A educação e a recreação das crianças é uma preocupação que remonta a história da própria humanidade, em que diversas civilizações, segundo suas crenças e seu desenvolvimento, conduziam de sua própria forma. No Brasil, hoje, a tecnologia vem assumindo o protagonismo no desenvolvimento infantil e, embora guarde sua devida importância, seu excesso pode prejudicar o indivíduo a curto e longo prazo. Dessa forma, medidas são necessárias para amenizar essa problemática.

Em primeiro lugar, é fundamental entender a relevância do uso da tecnologia na educação das crianças. É inevitável, nos tempos atuais, desvencilhar-se completamente dos meios tecnológicos de informações, uma vez que eles suplantaram em grande parte os suportes físicos de notícias, livros e afins. Dessa maneira, aliar o seu uso à educação infantil pode ser saudável como forma de preparação da criança para o mundo contemporâneo. Além do mais, como prevê Paulo Freire, a formação de uma pessoa deve estar sempre conectada com o contexto em que ela vive, e, por isso, utilizar os meios tecnológicos na educação é absolutamente crucial em uma época em que muito do entretenimento, do trabalho e até das relações sociais se realizam através de estruturas digitais.

Em segundo lugar, no entanto, é indispensável compreender como o uso indiscriminado das tecnologias digitais podem levar a sérios prejuízos a curto e a longo prazo para as crianças. Nesse sentido, a falta de critério sobre o tempo e o objetivo de uso dos aparelhos digitais podem desencadear dois grandes problemas conectados: o sedentarismo e o vício. Fazer da internet e de conteúdos virtuais fonte quase exclusiva de informação e de educação pode levar o indivíduo a dedicar muitas horas diárias em computadores, celular e tablet, não só reduzindo seu tempo disponível para atividades físicas mas também colocando-o à mercê do vício em jogos eletrônicos, que vêm como um produto secundário dos meios digitais substituindo o lazer que a criança obteria em outras brincadeiras. Isso é ainda mais grave quando submetido à perspectiva psicanalítica. Nesse aspecto, segundo Freud, o desenvolvimento da criança determina em grande parte a formação do adulto, e por isso fica claro o risco de desassisti-la quanto ao uso indiscriminado de tecnologias digitais.

A partir dessa discussão, fica claro que o Ministério da Educação deve propor diretrizes mais objetivas para o ensino básico quanto ao uso de tecnologias digitais na educação para potencializar os proveitos desses aparelhos sem incorrer em uso indiscriminado. Isso pode ser feito por meio de elaboração de cartilha instrutiva detalhada com professores, pedagogos, psicopedagogos e neurologistas, que vão atuar sempre em acordo com os contextos regionais de cada Secretaria de Educação para, enfim, atingir de maneira específica as particularidades de cada escola.