ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 24/08/2021
A teórica política alemã, Hannah Arent, utiliza a expressão ‘’ Banalidade do Mal’’ para traduzir o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva, analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante do combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, já que é justamente a habitualidade frente à questão que agrava e aprofunda no corpo social brasileiro. Nesse sentido, torna-se claro que essa situação tem como origem no despreparo da população com esses novos artifícios. Assim, não só o vício causado pela realidade virtual, como também a demanda social no uso de recursos tecnológicos para etapas futuras na vida das crianças aprofundam esse panorama.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas para combater o uso desenfreado da tecnologia virtual pelo público infantil que é o principal catalizador para que às crianças tornem-se reféns de mundo irreal. Nesse sentido, os danos causados são dificuldades de concentração, ansiedade e sedentarismo, devido ao grande volume de informações que alteram o sistema de recompensa, levando o indivíduo a uma prisão psicossocial. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado - neste caso, ao excesso do consumo de mecanismos digitais.
Ademais, a ausência de compromisso do Estado para com medidas que diminuam a necessidade obrigatória da tecnologia nas relações sociais é outro ponto que fomenta a problemática. De certo, a falta de incentivos na área da conscientização e medidas que insiram a tecnologia de maneira sustentável na infância é a realidade da política do país, resultando a proximidade precoce para os desafios que irão enfrentar no mercado de trabalho e na vida, por conta da sociedade estar de maneira dependente a tecnologia. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de conscientização a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que negligencia as dificuldades enfrentadas pelas crianças, submetendo-as à periferia da cidadania.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o uso massivo da tecnologia digital por crianças, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em conscientização, por meio de palestras e minicursos para os pais e crianças. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dessa problemática, e a coletividade superará a banalidade do mal proposta por Hannah.