ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 19/08/2021
É fato que a capacidade de comunicar-se entre si propiciou um processo evolutivo complexo para o ser humano. Nesse contexto, foi possível apropriar-se de mecanismos para os avanços tecnológicos. No entanto, contraditoriamente, a tecnologia digital afasta o contato social físico e a percepção do mundo real. No que tange a infância, torna-se preocupante esse fato, pois é a fase em que construímos a base para a fase adulta, além de dificultar a atividade parental. Sendo assim, é essencial analisar essas demandas.
Paulo Freire, educador reconhecido internacionalmente, trabalhava o conceito de que o ser humano aprende baseado em seu cotidiano e experiências. Assim, uma rotina baseada no contato com outras crianças, em atividades físicas e intelectuais em grupo, na convivência em família e em sociedade são importantes para a construção do caráter e intelectualidade do indivíduo. Posto isso, a vida digital mimetiza essas experiências, criando a ilusão de estimular por completo a criança e, em demasia, prejudica seu desenvolvimento.
Ademais, a tecnologia digital vende a falsa ideia de auxílio aos pais. Enquanto o estímulo exacerbado das telas distrai a criança, o adulto consegue organizar outras tarefas, seja no ambiente doméstico ou no trabalho. Entretanto, o convívio com o outro prejudica-se, fazendo com que a criança desenvolva impaciência e hiperatividade, dificultando o trabalho da família.
Assim, é imprescindível o acompanhamento familiar, limitando o acesso da criança à essas tecnologias e criando espaços para aproximação entre os entes na rotina, permitindo reforçar os vínculos. Não só a família deve participar dessa ação, mas também a escola, reduzindo o contato com equipamentos digitais e elaborando atividades entre os alunos, com o intuito de estimular as relações humanas. Com isso, a infância poderá ser desfrutada com segurança e qualidade.