ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 29/08/2021

O filósofo alemão Heidegger, em sua obra “Ser e Tempo” (1927), abordava a ideia de que a tecnologia ameaçava tirar do homem a sua capacidade de refletir sobre as coisas e poderia transformá-lo em um ser que produz, muitas vezes, de maneira irrefletida. Nesse âmbito, nota-se, no Brasil atual, que o uso desmedido de tecnologias digitais por crianças representa um grande problema, prejudicando seu desenvolvimento pleno.  Nesse sentido, destaca-se a importância de debater a Globalização como motor do problema e a sua consequência na vida da criança.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a expansão do processo de globalização nas últimas décadas e o impacto gerado na vida da familia. Sob esse viés, o historiador brasileiro Nicolau Sevcenko afirma que, desde a Revolução Científico-Tecnológica até os anos 70, a tendência era que os Estados nacionais controlassem a economia e as grandes corporações, impondo-lhes um sistema de taxação pelo qual transferiam parte dos seus lucros para setores carentes da sociedade. Todavia, no mundo atual, com a globalização, as corporações adquiriram tal poder de mobilidade, redução de mão e capacidade de negociação, podendo deslocarem-se para locais onde pagam menor salário e impostos. Nesse contexto, ambos os pais desamparados pelo Estado, veem-se obrigados a cumprirem jornadas exaustivas de trabalho para garantir o sustento da prole. Dessa forma, as crianças, estando sem tutela, acabam por utilizarem de maneira exarcebada tecnologias digitais.

Por conseguinte, devido a essa negliência parental, gerada pelo processo supracitado, crianças e adolescentes ao utilizarem de maneira indevida as tecnologias digitais de informação, acabam por desenvolverem problemas relacionados a saúde e ao seu desenvolvimento educacional. Nesse prisma, a Academia Americana de Pediatria, aponta para o desenvolvimento de distúrbios como comportamentos agressivos ou alienados além do aumento do sedentarismo. Ademais segundo pesquisa da Universade de Campinas, a exposição à luz das telas, dificulta o sono, acarretando em problemas na retenção do conhecimento aprendido no ambiente escolar.

É nítido, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Assim, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, em parceria com os respectivos governos estaduais, promover no ambiente escolar palestras e cursos abertos à comunidade, ministrados por especialistas, sobre o uso de consciente de tecnologias digitais, utilizando cartilhas e os próprios recursos tecnológicos, para facilitar o entendimento. Espera-se, com essa medida, que o problema seja progressivamente erradicado.