ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 23/08/2021
O filósofo Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois ele seria livre e responsável.No entanto, percebe-se que, no Brasil, o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, indivíduos que ainda não estruturam a sua consciência total, demonstra uma iresponsabilidade coletiva, de modo a prejudicar o desenvolvimento desse público, haja vista os efeitos desse uso exarcerbado, como o risco de obter obesidade e distúrbios mentais.Nesse sentido, em virtude da insuficiência legislativa e da banalização familiar, emerge um problema complexo.
Em primeiro plano, a falta de efetividade normativa contribui incisivamente para a continuação dessa situação. A esse respeito, o filósofo Jonh Locke afirma que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis” com o objetivo de evidenciar a necessidade de atuação prática do Estado. Sob essa análise, verifica-se que a utilização massiva das tecnologias digitais por menores é explicada, em parte, pela ausência de amplas ações estatais efetivas que visem atuar diretamente nas crianças e nas suas famílias para diminuir esse uso exagerado tecnológico. Diante disso, seja pela carência de busca ativa, em casas populares, acerca da forma que a criança utiliza o meio digital e a quantidade de horas, seja pela falta de atividades educativas com as famílias a fim de conscientizá-las, como em palestras e debates públicos , os menores continuarão sem um amparo governamental nessa questão. Assim, fica clara a influência da inoperância do governo nessa realidade desequilibrada.
Além disso, a carência de controle e de atenção familiar contornam a problemática. Nesse contexto, a intelectual Hannah Arendt conceitua a “banalidade do mal” como sendo a indiferença contínua perante a atitudes indevidas. Nessa lógica, percebe-se que o núcleo familiar negligente, muitas vezes, formenta o uso sem controle dos aparatos tecnológicos, pois não deposita importância nessa prática errônea dos seus filhos, bem como, por vezes, não entende os impactos dessas ações. Sob esse viés, ocorre a naturalização da utilização desordenada do campo digital por crianças, o que é observado, ora pela falta de imposição de limites dessa prática, ora pela deficitária comunicação e instrução dos familiares com suas crianças sobre os impactos de tal utilização.
Portanto, torna-se fulcral uma resolução. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular um programa de fiscalização e instrução, em residências populares, a respeito do uso massivo das tecnologias digitais, por meio do apoio técnico de profissionais da informática e redes digitais, que devem realizar uma busca ativa, com a finalidade de promover o equilíbrio ou a limitação desse uso por crianças. Ademais, esse programa deve comtemplar um disque-denúncia para que a comunidade possa intervir ativamente. Dessa maneira, a ideia de Sartre poderá ser verificada no Brasil.