ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 08/09/2021
A constituição federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao bem-estar como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa o uso indiscriminado das tecnologias pelas crianças, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante dessa perspectiva, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro.
Em primeiro lugar, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulos ao debate a respeito do uso indiscriminado das tecnologias pelas crianças, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona problemas de sono pelo uso do celular nas horas de dormir, estresse, perda de cognição e dependência extrema dessas tecnologias. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermaseano.
Outrossim, a omissão da mídia quanto às consequências do vício nas tecnologias ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Por essa ótica, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre como reverter a dependência das crianças quanto aos celulares, contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre os efeitos à longo prazo da alta exposição diária nos celulares, influenciando na consolidação do problema, cuja base é o silenciamento midiático de uma situação a qual está tão presente na sociedade e que precisa cessar.
Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos e psiquiatras, com o objetivo de mostrar as reais consequências da exposição prolongada com as tecnologias, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores como atenuar o quadro. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula para que haja uma conscientização plena da situação. Desse modo, a razão comunicativa de Habermas será devidamente efetivada.