ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 10/09/2021

O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando a ideia de esperança perante um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar o processo de conscientização e a assistência estatal que envolvem essa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir esse uso. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, visto que falta informar os responsáveis das crianças sobre os malefícios de permitir este grupo manusear tecnologias digitais em excesso, por exemplo, o sedentarismo, podendo gerar, assim, doenças como a obesidade e, por conseguinte, violar o direito à saúde destas pessoas. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem assegurado o bem-estar de todos, o que evidencia o descumprimento dos princípios republicanos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, pontua-se que aceitar esse uso é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia diante da ausência de assistência estatal, posto que falta oferecer auxílio jurídico para as crianças vítimas da violação de seus dados nas redes sociais e das consequências negativas advindas de sua exposição excessiva na mídia, como exemplo, assédio sexual virtual ou pedofilia. Recorrendo aos estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa situação, constata-se que, devido a um processo de massificação cultural, os cidadãos têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existentes.

Ressalta-se, portanto, que o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças deve ser superado. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos responsáveis pelos indivíduos infantis, priorizando palestras educativas com profissionais da saúde, realizadas nas escolas, a fim de evitar o manuseio excessivo das mídias sociais por esse grupo e as doenças crônicas advindas do sedentarismo.Além disso, é fundamental sensibilizar

a comunidade, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante a utilização exagerada da internet pelas crianças, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol da assistência jurídica, por meio da Defensoria Pública, a pessoas desta classe social que se tornaram vítimas de crimes virtuais e tiveram seus dados particulares violados. Desse modo,seria possível solucionar essa problemática e não restringir a esperança à obra de Picasso.