ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 04/10/2021

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais de um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar o uso sem controle das tecnologias pelas crianças, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade, haja vista a persistência dos desafios ao se combater o problema, que apesar de importante, não recebe atenção devida, fato que impede a ascensão do Estado. Com efeito, é imprescindível enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares da problemática.

Primeiramente, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Sob essa óptica, a falta de estímulo ao debate a respeito da inclusão indevida das crianças no ambiente digital, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona a carência de conhecimento acerca dos impactos negativos de tal prática, fazendo com que os indivíduos ajam embasados no senso comum, assim como repetindo o mesmo erro e não buscando soluções para o impasse, atrapalhando o desenvolvimento dos indivíduos. Destarte, discorrer criticamente o problema é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermeseano.

Ademais, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. O uso indiscriminado das tecnologias pelos jovens, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que o governo não articula medidas públicas para atenuar o atual cenário, pois, seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse, pouco é investido na causa, deixando a população vulnerável e carente de ferramentas governamentais que coíbam o revés. Dessa forma, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes com fito de dirimir a adversidade.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com especialistas na área das tecnologias digitais, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito de maneiras em que as crianças podem utilizar os meios digitais de forma mais proveitosa, sem prejudicar seu desenvolvimento. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações, por meio da inclusão do projeto nas Diretrizes Orçamentárias. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, o progresso social será efetivo.