ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças
Enviada em 23/10/2021
Já há consenso entre a comunidade científica quando se trata dos malefícios do uso indiscriminado das tecnologias digitais por crianças: a falta de interação social pode levar à alienação da vida em comunidade e ser extremamente prejudicial no desenvolvimento dos mais novos, estimulando um crescimento da obesidade e da ansiedade entre essa faixa etária. Contudo, a sociedade civil e o Estado falham em seguir as recomendações dos profissionais, gerando consequências catastróficas.
É relevante abordar, primeiramente, que a sociedade vive atualmente um processo intenso de dependência dos aparelhos eletrônicos, o que configura o problema infanto juvenil como uma das facetas dessa realidade. Através do exemplo, pais e mestres acabam transmitindo a ideia de que é comum e aceitável passar horas a fio no celular em detrimento das bases familiriares. Além disso, há quem, sem avaliar as consequências, compre celulares para crianças na esperança de que o aparelho supra suas necessidades por atenção, o que, aliada a falta de supervisão, pode dar às crianças uma liberdade para a qual não estão preparadas: 47% delas afirmam terem visto imagens de conteúdo sexual nos últimos 12 meses, segundo dados da SMP, Sociedade Mineira de Pediatria.
Paralelo a isso, há de se levar em conta a falta de ação estatal frente ao problema. Não há atualmente nenhum mecanismo legal que force empresas como Facebook e TikTok a barrar a criação de perfis de crianças em suas redes sociais, já que, segundo a SMP, cera de 32% delas mentem suas idades para se inserirem na plataforma. Essa falta de ação por parte do legislativo tem como principal causa a atividade lobista no congresso, que garante que os interesses das empresas de tecnologia serão impostos sobre os da sociedade, a fim de que estas possam continuar gerando lucros.
Faz-se necessário, portanto, que haja um maior engajamento no sentido de vencer essa realidade abusiva. Urge, então, que o Estado, por meio do poder Legislativo, trabalhe a fim de regulamentar a atividade de empresas de tecnologia, principalmente no que tange ao uso adequado por crianças, através de ferramentas de reconhecimento facial e análise de documentos para confirmar a idade dos usuários. Além disso, cabe a sociedade civil, por meio da escola pública, educar estudantes e responsáveis a respeito dos perigos do uso indiscriminado das tecnologias digitais, abordando o assunto em reuniões e palestras, ou mesmo veiculando material informativo impresso. Desse modo, é possível caminhar na direção de um uso mais responsável e produtivo dessas tecnologias, mitigando o problema da dependência.