ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 22/10/2021

Em “Nosedive”, primeiro episódio da terceira temporada de “Black Mirror”, dirigido por Joe Wright, a narrativa acompanha a vida de Lacie, cidadã comum em um mundo distópico onde “status” social e até direitos dependem de avaliações “on-line”. Todavia fictício, a assustadora realidade visionada por Wright não é tão díspar daquela vivenciada pelo jovem contemporâneo, dependente de aprovação virtual devido à exposição desde infância ao mundo internauta.

Em primeiro lugar, é fato a obsessiva necessidade da juventude moderna para com elogios e encorajamentos cibernéticos, estímulos esses que, muito como nas interações de Lacie com amigos e colegas de infância, acabam por definir a posição social e identidade desses jovens. A autoestima criada em tal ambiente, especialmente nas fases de desenvolvimento de um indivíduo é, como resultado, frágil e instável, algo que foi demonstrado na pesquisa feita pelo Projeto Dove pela Autoestima, a qual revelou que 78% das jovens brasileiras tentam esconder alguma característica de seus corpos em fotos compartilhadas.

Em Conseguinte a essa pressão social é a crescentemente precoce introdução de crianças à internet, que sentem, como explorado pelo filósofo Byung-Chul Han em “A Sociedade do Cansaço”, a necessidade de aparentar felicidade e sucesso, uma cansativa máscara de positividade que resulta em vulnerabilidade. Jovens compelidos a acompanharem os padrões internautas se tornam suscetíveis a compartilharem informações pessoais com desconhecidos, colocando a si mesmos e suas famílias em risco físico e mental.

Visto o perigo da situação atual para o bem-estar infantil, é essencial que o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), por intermédio de colaborações com os governos do mundo, trabalhe em acordos internacionais que protejam a juventude dos perigos virtuais, visando um futuro mais saudável e seguro para as crianças de todos os países, sendo o uso da “internet” por parte de jovens regulamentado por lei, prevenindo-os de compartilharem informações inadequadas, iniciarem interações com individuos desconhecidos ou mesmo agirem de maneira inapropriada para com colegas e amigos até meados da adolescência. Está nas mãos de ambos pais e o Estado definirem se o futuro mundial é tão distópico quanto a ficção prevê.