ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 25/10/2022

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito a segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamen-tais para combater o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças . Nesse sentido, mesmo o Estado tendo a obrigação de provê segurança para a população brasileira, ele não a cumpri, quando se observa quase metade da parcela infantil ter tido contato com conteúdo sexual na internet. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a/o segurança, o que infelizmente é evidente no país.

Além disso, é inegável como a manipulação midiática alicerça o uso de celulares pelas crianças sem verificação de um adulto. Isso acontece porque os veículos de comunicação, pautados em uma perspectiva lucrativa, valorizam o engajamento de seus conteúdos, marginalizando, assim, a abordagem de situações que não evocam a atenção do público, tal como acontece com os problemas sociais sem visibilidade. Dessa maneira a análise da conjuntura precária, que cerca o uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo e que envolva a maior parte do público-alvo desses veículos. Essa reflexão encontra forças na afirmação de Zigmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte” já que a pouca visibilidade midiática direcionada para essa problemática leva à ignorancia das consequencias causadas pela uso de celulares por crianças, fazendo com que esse cenário permaneça acontecendo.