ENEM PPL 2019 - Combate ao uso indiscriminado das tecnologias digitais de informação por crianças

Enviada em 14/05/2024

Em seu livro “Sociedade do cansaço”, o filósofo Byung-Chul Han denuncia que as pessoas se cobram cada vez mais para apresentar resultados, tornando elas mesmas vigilantes de suas ações; mas alheias às demais questões sociais que as cercam. A lógica apresentada pelo pensador é pertinente ao cenário do público infantil fazendo uso de tecnologias sem nenhuma limitação, visto que há uma perigosa seletividade da sociedade sobre quais assuntos merecem engajamento. Sob esse prisma, é válido analisar tanto a ineficácia da educação básica quanto a falta das medidas governamentais como corroboradoras dessa problemática.

De início, cumpre notar que é escassa a promoção de um ensino eficiente sobre o acesso de crianças a conteúdos prejudiciais. Entretanto, de acordo com a teoria da “pedagogia libertadora”, defendida pelo professor Paulo Freire, a educação precisa ser plural e significativa, caso contrário, será ineficaz na formação de cidadãos conscientes de seus papéis sociais. Dessa forma, por não ensinarem tal visão, os colégios fomentam a passividade coletiva em torno da dependência aos dispositivos, jogos, mas também a problemas de saúde, como diabetes e obesidade, já que não são controlados por seus responsáveis.

Além disso, outro desafio para garantir a proteção, é a carência de ações eficientes do Estado. À vista disso, é pertinente o que denuncia o filósofo Michel Foucault, na obra “Em defesa da sociedade”, ao afirmar que os governantes se ocupam mais com a divulgação das leis do que com a execução delas. Assim, com a falta de segurança na internet, o grupo infantil encontra facilidade de conexão com informações inapropriadas na internet sem que ocorra uma limitação que os impeçam, resultando na possibilidade de que conversem com estranhos.

Portanto, é preciso buscar alternativas para reverter o acesso inapropriado. Então, é necessário que iniciem uma campanha para incentivarem as escolas brasileiras a abordarem o assunto de forma mais significativa ao contexto social dos alunos. Ademais, o Ministério Público, deve cobrar ações eficazes dos governantes para o monitoramento do uso de dados de aparelhos digitais por crianças. Feito isso, espera-se que o cenário seja superado.