Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Desde o período iluminista, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão do ensino domiciliar, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é contestado na teoria e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país tendo em vista as inúmeras desvantagens que a proposta possui, seja em razão dos parâmetros socioeconômicos de cada estudante, seja em razão à diminuição da sociabilidade.

É incontrovertível que questões relacionadas a Constituição estão entre as causas do problema. Pensando nisso, conforme o filósofo, Aristóteles, a base da população é a justiça e, por meio dela, o equilíbrio seria alcançado. Sendo assim, é possível que essa mudança na transição do ensino escolar rompe com essa harmonia social; haja vista que embora o Estado, em tese, assegure uma educação de qualidade a todos, ainda assim, esse órgão não o faz, tendo em vista que a presente questão coloca em risco milhares de crianças que necessitam da escola para se alimentarem, pois não têm comida em casa. Logo, nota-se o colégio como um pilar voltado não somente para educação, mas também, para manutenção e sobrevivência de muitos que possam por necessidades financeiras.

Outrossim, a interação social da criança é um mecanismo muito eficiente para um desenvolvimento cognitivo. Nas escolas, por sua vez, tem-se um dos primeiros ambientes em que ocorrem essa interatividade, fazendo com que as crianças tenham notórios desenvolvimentos – que vão desde a fala, escrita, comunicação, percepção e afins. Sendo assim, pode-se analisar a esse problema de acordo com a teoria elaborada pelo sociólogo Albert Bandeira que afirma “A maior parte do conhecimento humano é aprendido por imitação”. Em vista disso, tal fato se encaixa em sua premissa uma vez que, se uma criança vive em um ambiente familiar inerte, sem contato com pessoas de sua idade, possivelmente, ela copiará um comportamento apático e com dificuldade de socializar devido à pouca vivencia em grupo.

Fica evidente, portanto, que o ideário popular e ação do governo precisam ser mudados. Por isso, é imprescindível que o Governo Federal com o Ministério da Educação realizem campanhas publicitárias em diversos veículos acerca da importância do ensino presente, por meio de panfletagens, campanhas em rádio, propagandas na internet e televisão, a fim de mostrar a sociedade os benefícios que esse ensino gera e os malefícios que sem ele pode ser causados, haja vista a questão da fome e da sociabilidade como algo recorrente no país. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, perspectivas sobre essa possibilidade de ensino e a sociedade se aproximará, assim, dos preceitos pregados no iluminismo.