Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 09/06/2021
Compreendida como uma forma de assimilar conteúdos em casa, com auxílio dos responsáveis, o ensino domiciliar se tornou, sobretudo na contemporaneidade, uma pauta relevante em diversos países, bem como no Brasil. Isso se deveu, principalmente, ao cenário vivenciado pela sociedade mundial: a pandemia da covid-19. Essa doença viral contagiosa, fez com que as nações cessassem atividades em diferentes áreas, inclusive na educação. Assim, uma das alternativas a manutenção do aprendizado dos jovens foi o estabelecimento de um ensino com a família. Entretanto, apesar de esse modo de instrução apresentar como pontos positivos a redução dos casos de ‘bullying’ e a flexibilidade do tempo, há dificuldade para implantar essa metodologia, já que, além de muitos jovens não terem acesso à internet, especilamete no Brasil, tem-se, ainda, prejuízos à socialização.
Nesse contexto, destaca-se como benefício ao ensino domiciliar no Brasil a diminuição da prática e dos efeitos do “bullying”. Isso ocorre porque, com a educação em casa, os jovens, em geral, não têm contato com os indivíduos que realizavam, repetidamente, esse tipo de agressão verbal ou física e, assim, os problemas psicológicos advindos dessa barbárie acabam por ser reduzidos. Além disso, outro fator positivo dessa educação é a flexibilização do tempo, posto que muitos brasileiros que desejam estudar, trabalham. De acordo com o portal de notícias ‘g1’, entre os jovens brasileiros que estudavam, em 2019, o percentual daqueles que trabalhavam era cerca de 49%. Desse modo, com o ensino domiciliar, essas pessoas podem ter acesso aos conteúdos no momento em que lhes for mais oportuno, já que, geralmente, o material de estudo está disponível, a elas, o tempo todo.
Contudo, existem obstáculos para efetivação do ensino domiciliar no Brasil. Nesse sentido, ressalta-se o fato de certos indivíduos não terem acesso à internet, uma das principais ferramentas de informação, na atualidade. Conforme dados do jornal ‘O globo’, em 2018, quase 46 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet, devido, em especial, ao custo. Dessa forma, como muitas pessoas não têm a sua disposição a rede de computadores, elas encontram impasses para construir suas formações. Ademais, outro revés é o dano à socialização. Segundo o filósofo Durkheim, a escola é o meio secundário de o indivíduo se socializar. Nessa perspectiva, na medida em que o ensino domiciliar se pauta no individualismo, a interação, a integração e a comunicação sociais ficam prejudicados.
Portanto, objetivando reduzir os aspectos negativos do ensino domiciliar, cabe ao governo, essencialmente ao Ministério da Saúde, fornecer internet aos indivíduos que não têm condições financeiras. Isso deve ser feito por meio de parcerias com empresas do ramo, em que o Estado disponibilizaria verbas e a instituição especializada instalaria a internet no local necessitado.