Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Na obra cinematográfica “Meninas Malvadas”, a adolescente Cady Heron foi educada na África pelos seus pais cientistas e, ao se mudar para o subúrbio de Illinois, sua rotina educacional muda completamente. A personagem entra em contato com uma nova vivência, desenvolve a sociabilidade e se encontra num espaço de estudo diferente do acostumado. Diante dessa perspectiva, a ficção retrata de forma explícita os efeitos causados pela educação domiciliar, na qual a falta de convívio social e a omissão de abuso sexual são sequelas desse sistema.
Observa-se, em primeira instância, que a falta de socialização em decorrência da implantação desse método é potencial. Tal cenário configura-se pela escassa interação com a comunidade, visto que, o estudante encontra-se isolado apenas no âmbito familiar. Consequentemente, essa metodologia pode restringir o relacionamento com outras pessoas, pois, de acordo com a pedagoga Anna Helena, a escola tem o papel de tornar a criança social, para que ela comece a conviver em outros núcleos que não o da família. Dessa maneira, nota-se como o asseguramento social é fundamental.
Deve-se abordar, ainda, que o homeschooling pode aumentar o número de casos relacionados ao abuso sexual. Sabe-se que as instituições de ensino servem como anteparo às crianças que sofrem problemas ocorridos em sua residência. De acordo com o Porta G1, 50% dos abusos sexuais ocorrem dentro da família. Tal fato acontece porque, na maioria das vezes, a família é negligente e opta por proteger o autor e fingir que nada aconteceu. Nesses casos, a escola exerce papel importante na detecção dos abusos, identificando-os no comportamento do aluno, como afirma a psicóloga Antonieta Cavalcante.
Torna-se evidente, portanto, que a educação domiciliar é uma questão em pauta no Brasil. Para resolver este impasse, o Ministério da Saúde, em parceria com os centros educacionais, irá realizar pesquisas e avaliações sobre a implantação do método no Brasil, a fim de analisar questões relacionadas à sociabilidade, para que assim, a educação possa ser vivenciada eficientemente nos diversos contextos modernos. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça, acrescentar, no projeto de lei que visa regulamentar a educação domiciliar, um respaldo que disponha a proteção integral da criança, disponibilizando profissionais da área da saúde, como psicólogos, para a realização de visitas semanais nas residências de indivíduos que adotaram a medida. Dessa forma, os menores estarão protegidos de ambientes familiares abusivos.