Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 29/08/2019

No filme “Meninas malvadas”, a personagem Cady, uma jovem que precisou estudar a vida toda em casa para que os pais fizessem um projeto de pesquisa no continente africano, apresentou graves dificuldades sociais quando precisou ir para uma escola regular. De fato, casos como o da Cady não se limitam a cenários fictícios. Nesse sentido, a questão do ensino domiciliar é um tema pertinente ao contexto brasileiro. Fica notório a má qualidade das escolas do país torna essa alternativa atraente aos responsáveis, mas essa opção pode trazer problemas para o processo de socialização do indivíduo.

A priori, apenas 0,6% das escolas públicas brasileiras apresentam infraestrutura ideal, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Brasília. Nessa lógica, é válido afirmar que tem fundamento a descrença dos responsáveis sobre os colégios do país. Segundo a Constituição Federal de 1988, Art.205, a educação é direito de todos e dever do Estado. Logo, se presume que o país demostra despreparo para garantir esse direito, dessa forma, o ensino domiciliar pode oferecer educação de qualidade sem barreiras físicas.

Ademais, o que diferencia os seres humanos da maioria dos animais é a capacidade de interação desses, entretanto essa habilidade é socialmente construída. Dentre esses efeitos, o sociólogo Anthony Giddens, formulou uma teoria sobre o processo de socialização, na qual destaca a importância das escolas na segunda fase dessa ação para que o indivíduo aprenda a conviver com pessoas e culturas diferentes. Por certo, tirar o aluno do ambiente escolar pode causar danos para sua convivência em sociedade, logo, há certa urgência na adoção de medidas que trabalhem a aplicabilidade do ensino domiciliar e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Cady refletem o problema que o estudar em casa pode causar. Assim, com o propósito de garantir ensino de qualidade no Brasil, cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, tornar a infraestrutura das escolas ideal, com o projeto “Escola digna”, em que os colégios receberiam bibliotecas, laboratórios e quadras, a fim de proporcionar conforto e outras formas de aprendizagem. Além disso, a opção de ensino domiciliar não pode ser totalmente excluída, desde que os pais ofereçam uma socialização variada aos filhos. Enfim, a partir dessas ações a educação de qualidade será realidade dentro e fora das escolas brasileiras.